14 de dezembro de 2010

Simples poça de água



Trago ao peito,
a linha descontínua
do traçado de um mapa
e todos os dias cegos,
talhados à força do impulso.
Trago nas mãos
a rocha, lava liquefeita,
travo amargo de todos os medos
que gotejam no tempo,
o fermento dos nós
no laço dedos.
No regaço,
trago um espaço
onde dançam as estrelas,
prenhes de todo o brilho do mundo,
no prolongamento do céu.
O mesmo céu, plúmbeo
que tantas vezes
me inunda a mágoa, de mar
e a vida, de néctar da uva,
sabendo-me...
simples poça de água
berço das gotas da chuva.


21 comentários:

myself disse...

Doce espelho de água onde o brilho deste mundo vai sendo cada vez menos intenso...
Mundo que, envolto nas tuas palavras, nos deixa alguma esperança, apesar de tudo.
Belíssimo este poema...

Beijinho para ti, Maria João!

Dulce AC disse...

"No regaço trago um espaço
onde dançam as estrelas
prenhes de todo o brilho do mundo.."

Permite-me dançar com todas essas estrelinhas João..e ser no teu regaço e no seu brilho uma gota de esperança,
porque sei me renova,
sei me faz bem,
porque sei preciso desse brilho de cor em mim

Muito bonito este poema João...
Muitos beijinhos num abraço de vida

Dulce

Lídia Borges disse...

O que importa ser simples poça de água se nela se banha a lua e dançam as estrelas mais brilhantes?
Se nela o infinito se reflecte imenso e verdadeiro, como num colo que se dá... Ternura!

Um beijo muito carinhoso

Jaime Latino Ferreira disse...

MARIA JOÃO


Querida Amiga,


Poça de água
diz-me só
quanta gota a chuva traz
quando te enche do que dás


Beijinho


Jaime Latino Ferreira
Estoril, 14 de Dezembro de 2010

Ana Martins disse...

Querida amiga,
muito obrigada pelo carinho, e pela presença no lançamento do meu livro. Tive pena do tempo que tivemos à conversa ter sido tão curto, mas as emoções eram muitas, e eu tentei dar pelo menos um pouquinho de atenção a todos quantos fizeram questão de me acompanhar e acarinhar neste dia tão feliz.

Um beijinho amigo para ti e o teu marido.

Ana Martins

Mel de Carvalho disse...

Minha querida amiga,
é na água que tudo se sublima, estado iniciático.
Serás ""simples poça", por certo, no que de mais vital a mesma encerra: equilíbrio universal, osmose, partilha...

Aqui, bebendo de ti. A minha admiração, a minha gratidão...

Beijo
Mel

PS: Vou incluir... :)

João Correia disse...

...e trazes contigo também a inspiração e a arte e o prazer que vais dando a quem te lê. Gostei especialmente da segunda parte. Entrelinhas, comprova-se que não há talento que se justifique sem trabalho.
Os meus parabéns, Mª João.

manuela baptista disse...

peito
mãos
regaço

tanto que trago quando a sede aperta
trago de um trago

num berço de água
que sou

.

simples, não é Maria João

mas dançam-lhe as estrelas!

um beijo

manuela

Virgínia do Carmo disse...

Uma simples poça de água que nos inunda, saciando profundamente todos os sentidos...

Um forte abraço e... saudades!

BRANCAMAR disse...

Maria João,

Nunca senti tanta dificuldade em comentar os seus versos, tão plenos de emoções, tão íntimos, um poema tão seu...
É tão bom quando o céu nos inunda a mágoa de mar e a vida de doçura.
Se é berço das gotas da chuva todo o céu vai cair no seu regaço.

Beijos
Branca

Mar Arável disse...

A complexidade do simples

até numa gota de água

brilha de ternura
e gota a gota no regaço
se faz mar

Bjs

Mariazita disse...

Minha querida amiga
Uma simples poça de água pode trazer muita felicidade, toda a que tu descreves neste belíssimo poema.

Continuação de boa semana. Beijinhos mil.

PS Tenho a impressão que deves gostar do meu post de hoje...

A.S. disse...

M.João,

Navego nas tuas palavras e nelas me afundo com prazer!

Beijo!
AL

Lia disse...

Olá Maria João,

mais um belo poema respirando vida.
Muito bom (ler e reler) cada palavra ao som desta melodia.:0)

Beijinho amigo*

Sofá Amarelo disse...

Trago nas mãos as linhas descontínuas de um impulso feito travo amargo de um tempo onde o tempo tem o brilho do mundo no prolongamento da vida!
Trago no peito o mesmo que céu, berço das gotas de chuva e dos flocos de neve....

Valquíria Oliveira Calado disse...

Olá, vim deixar um carinho de amiga, com abraços de paz, beijos no teu coração.♥

Olavo Bilac

Natal


Jesus nasceu. Na abóbada infinita
Soam cânticos vivos de alegria;
E toda a vida universal palpita
Dentro daquela pobre estrebaria...

Não houve sedas, nem cetins, nem rendas
No berço humilde em que nasceu Jesus...
Mas os pobres trouxeram oferendas
Para quem tinha de morrer na cruz.

Sobre a palha, risonho, e iluminado
Pelo luar dos olhos de Maria,
Vede o Menino-Deus, que está cercado
Dos animais da pobre estrebaria.

Não nasceu entre pompas reluzentes;
Na humildade e na paz deste lugar,
Assim que abriu os olhos inocentes
Foi para os pobres seu primeiro olhar.

No entanto, os reis da terra, pecadores,
Seguindo a estrela que ao presepe os guia,
Vem cobrir de perfumes e de flores
O chão daquela pobre estrebaria.

Sobem hinos de amor ao céu profundo;
Homens, Jesus nasceu! Natal! Natal!
Sobre esta palha está quem salva o mundo,
Quem ama os fracos, quem perdoa o mal,

Natal! Natal! Em toda a natureza
Há sorrisos e cantos, neste dia...
Salve Deus da humildade e da pobreza
Nascido numa pobre estrebaria.

FELIZ NATAL!

. intemporal . disse...

.

. e eu? eu trago.TE no tempo .

. feliz .

.

. e . venho por ora desejar.TE um santo e feliz natal extensível a toda a família e a todos os amigos que te sejam essência ao peito .

.

. grat.íssimo ainda pela constância da tua presença no #intemporal# que tanto me gratifica .

.

. um beijo sempre amigo .

.

. paulo .

.

Carmo disse...

Olá Maria João, hoje é apenas para desejar um excelente Natal

Beijinhos

Carmo

Vieira Calado disse...

Olá, minha amiga!

Hoje venho simplesmente desejar-lhe

Um BOM NATAL!

Beijinhoss

AC disse...

Maria João, a sua poesia é grito primordial vindo do mais fundo de si, vislumbrando-se nela uma tentativa de abraço à vida para melhor a entender. E que força tem esse abraço!

(Só vim agora porque esta postagem passou-me despercebida. Eu é que fiquei a perder, tal é a sua qualidade)

Beijo :)

Mariz disse...

Querida Maria João

Gostei muito deste seu poema e sinceramente há poças de água(emoções) que custam a desaguar para o infinito da memória até se evaporarem de vez.
O tempo...só o tempo, fará com que a (nossa) terra (nosso corpo) detenha a porção necessária para não ficarmos secas/os.

Não venho muito a este blog, mas leio-o. Tão só porque "sinto" como sabe a vibração que se cola e o mesmo se passa noutros locais de pessoas que gosto, mas onde já nem vou pelos memos motivos "respiráveis" que me fazem mal...
e como não acalento males, evito-os ao máximo.
Primeiro está a minha saúde física porque a espiritual detecta 1º...
- daí me chamarem "bruxa"...
talvez porque o que venho referindo há algum tempo, venha acontecer depois...
Coisas da vida que em sempre dominamos....e se insistimos, pioram.

Abraço meu de sempre e grata
Muito grata...

Mariz

Abraço