31 de março de 2010

O medo na palma da mão





Na palma da minha mão
Rodam as ondas do mar
Como preces de quem fica à deriva
Rezando regressos
Na palma da minha mão
Voam bilros orando, meu amor
No sal das carícias presas nos dedos
Contas, murmúrios, lamentos
Que entrelaço em rendas de rodopiar
Na náusea de perder-te
Na tempestade dos medos
E se a espuma dos dias te leva
E me deixa sem redes, perdida?
Que faço às rendas, meu amor?
Que faço à vida?



Ft: retirada da net (Monumento às rendilheiras - Vila do Conde)

15 comentários:

António Gallobar disse...

Olá maria João

Mais um belo poema, uma homenagem às mulheres que com a sua sabedoria vão ensinando essas artes ancestrais e é muito bom que não se percam. Parabens e o desejo de uma Santa Pascoa

Beijinho

Mariazita disse...

Fiquei mais ou menos sem fôlego... tal é a beleza deste poema.
Sem fôlego e sem palavras para exprimir o que ele me transmite.
É lindo, lindo, lindo!
Apetece ficar olhando a imagem (muito bonita e adequada), e ler, e reler, e ficar assim como num encantamento.
Sei que não te importas...vou levá-lo e guardar, para reler de vez em quando.

Santa e feliz PÁSCOA.

Beijinhos, amiga.

Mariazita disse...

Afinal vou ter que te pedir por email :))))

+ 1 beijito

Chris disse...

Gostei tanto deste poema e tanto me diz estas palavras: "que entrelaço em rendas de rodopiar"...
Um beijo e uma excelente Páscoa
Chris

Nova Civilização disse...

Amiga Maria João,

estou a ler e reler... contemplar!

como sempre belíssimos!

Desejo uma feliz Páscoa para você e toda a sua família.

beijinhos no coração,

Gisele

Cris Tarcia disse...

Maria João, que lindo, seu cantinho é especial revitaliza,

Beijos

jefhcardoso disse...

Minhas mãos também possuem um significado especial para mim. Sou fisioterapeuta. (sorrio). Vi o seu nome em um espaço de comentários e quis conhecer o seu trabalho. Parabéns!

Abraço: Jefhcardoso do http://jefhcardoso.blogspot.com

Teresa disse...

Belíssimo poema, Maria João!
Vamos entrelaçando os nossos medos e os nossos anseios, como bilros.
Bjs

Rosa Carioca disse...

Mais um lindo poema! Obrigada pela visita. Um beijinho no seu coração, "Anjo" Maria João.

Sofá Amarelo disse...

Que a espuma das ondas do mar transforme as tempestades na palma da tua mão num esvoaçar suave da espuma das ondas entrando de mansinho pela areia fina de alguma costa dos murmúrios onde as redes deixem passar o sal das carícias...

Ana Martins disse...

Boa noite Maria João,
Sinto-me perante uma sublimação da poesia... Lindo!

Deixo um beijinho com votos de uma Santa e Feliz Páscoa,
Ana Martins

Luis F disse...

Olá amiga

Mais um belo poema. Gostei de ler e como sempre, sentir cada verso como um momento único.

Aproveito a oportunidade para desejar-te uma feliz Páscoa

Bjs
Luis

MCampos disse...

Um poema que de tão belo não sei comentar. Obrigada, pelas palavras, Maria João. Desejo-lhe uma Páscoa Feliz.

Um beijinho.

Sonia Schmorantz disse...

Páscoa...
É ser capaz de mudar, 
É partilhar a vida na esperança, 
É lutar para vencer toda sorte de sofrimento.
É ajudar mais gente a ser gente, 
É viver em constante libertação, 
É crer na vida que vence a morte.
É dizer sim ao amor e à vida, 
É investir na fraternidade, 
É lutar por um mundo melhor, 
É vivenciar a solidariedade.
É renascimento, é recomeço, 
É uma nova chance para melhorarmos 
as coisas que não gostamos em nós, 
Para sermos mais felizes por conhecermos 
a nós mesmos mais um pouquinho. 
É vermos que hoje...
somos melhores do que fomos ontem.
Feliz Páscoa!
Um abraço

Nilson Barcelli disse...

A vida é uma renda, às vezes sem rede...
Querida amiga Maria João, escreveste um excelente poema.
Uma boa Páscoa para ti.
Beijos.