27 de janeiro de 2010

Poema de nós duas...





Na lentidão do gesto que o finou
Houve uma fria noite que abraçou
O último fio que lhe bordou a vida
Sem tréguas ou olhares de mansidão
Soprou o vento o pó do chão
O corpo a reclamar despedida

Escondida nos luares de Janeiro
Cresceu serena a saudade
Neste pensamento primeiro
Nesta baluarte verdade

Partida a raiz a árvore não cai
Mantém-se elevada no tempo
Como em nós a memória do pai


(Dedicado a João da Conceição Martins, meu pai.
Enquanto ele permanecer na nossa memória , continuará vivo.)

13 comentários:

Mariazita disse...

Maia João
Os últimos serão os primeiros :)
Para não me esquecer...deixa-me dizer-te que esta imagem é muito bonita. A do post anteriror (esqueci-me de referir...) é soberba!

O poema...que dizer? è muito bonito. Embora sobressaia, quanto a mim, bastante melancolia, acaba por vir à tona a eterna Esperança.

Continuemos de pé, como a árvore que não cai, apesar de se lhe ter partido a raiz.

Beijinhos
Mariazita

Carlos Albuquerque disse...

Maria João.
Um poema em memória do pai é plantar outra árvore,nascida duma serena saudade escondida num luar de Janeiro, usando as suas palavras.
Escreveu-o com amor, sente-se.
Creio que cada vez que a saudade assim nos visita nos reencontramos com quem já viajou para lá. Sentimos, vemos, e chegamos a memória ao coração. Eu sei.
Beijinhos, Maria João

Mariazita disse...

Pois é, minha amiga, a mudança de apenas uma letra, de maiúscula para minúscula, pode alterar completamente o sentido dum qualquer texto.
Foi o que aconteceu aqui. Agora já vi o poema com outros olhos.
O sentido foi alterado mas a beleza mantém-se, assim como a minha opinião = Muito Bonito!

Beijinhos
Mariazita

Nova Civilização disse...

Amiga,

fizeste reviver lembranças e perceber que assim é a vida... as raízes se abalam mas permanecemos em pé fortes como as árvores que com o tempo foram nutridas de tão solo fértil que a alimentou e alimenta até hoje com todas as memórias, lembranças e pensamentos que ficam de quem tanto amamos!

muito obrigada por esse momento em perceber cada vez mais a imortalidade de quem nos gera e deixa os seus frutos!

Seu poema é belíssimo. Como sempre....toca em nossa alma, nos desperta diante de tamanha beleza!

beijinhos,

Gisele.

Angela Ladeiro disse...

Memórias que não queremos esquecer...Fica um lugar sempre, no coração. A saudade que me invade!...

Anónimo disse...

"No meio de todas as partidas que a vida nos prega, nenhuma me surpreendeu mais do que perder-te para sempre.
Eras parte de mim, e metade da minha vida era tua, metade de mim ficou e metade de mim morreu, e agora diz-me, como se pode viver só pela metade? É difícil, é preciso usar as forças que nunca julgámos ter!
Queria poder ver-te só mais uma vez, dizer o que não pude dizer e olhar-te nos olhos para que soubesses o quanto te adoro...
O tempo vai passando e a saudade que sentia vai-se tornando cada vez maior, mas eu também cresci e percebi que te devo lembrar com alegria.
Eu quero ser o reflexo da pessoa que eras, e usar todos os valores que me transmitis-te, quero ser feliz e incluir-te sempre no meu dia-a-dia porque não era correcto eu ser feliz e tu não! Por isso, estás sempre em tudo o que faço, em tudo o que vejo e em tudo aquilo que penso e sinto.
Não quero que te preocupes comigo, eu estou feliz, e quando eu não souber o caminho a seguir, peço-te ajuda, e nesse momento eu sei que estarás pronto para o que eu precisar, agora és tu que precisas de descanço, e desculpa se passei mais de dois anos a remexer neste assunto que devia ser lembrado com felicidade.
A partir de agora vou recordar-me de ti e dos momentos que passámos, não com a tristeza de já não estares comigo, mas com a alegria de já teres vivido."

9 anos depois, sinto exactamente a mesma coisa!


O poema está lindo, como tudo o resto que escreves.

Beijinhos da mana**

Teresa

Sofá Amarelo disse...

Há memórias que nos alimentam a alma dia a dia. São essas memórias de raízes profundas que dão sentido ao desfiar das horas e dos momentos, às saudades envoltas em pequenos nadas que são tudo para nós!

Que a saudade continue sempre viva, mesmo se escondida nos luares de Janeiro...

Muitos beijinhos sentidos!!!

Cris Tarcia disse...

Maria João, que lindo, fica pra sempre este amor, nos alimenta, nos envolve com sua ternura, doe mais nutri também.

Beijos querida amiga

Rosa Carioca disse...

As pessoas que verdadeiramente amamos nunca morrem, desde que sejam sempre lembradas. Meu pai será sempre imortal. Lindo poema. Beijinhos.

APC disse...

Eis que (re) plantaste a memória do pai.
Já tens o meu livro? Beijos

SILÊNCIO CULPADO disse...

Maria João

As pessoas que amámos e partiram ficam mais próximas e vivas na nossa memória. Tão presentes que frequentemente fazemos coisas que achamos que lhes agradariam se estivessem entre nós. Coisas que, quando as tinhamos, éramos capazes de não as fazer.
Sim, as memórias são como árvores de raízes secas. Erectas e altivas como um farol num mar de lembranças.

Lindo e tocante o teu poema.


Abraço

Alexandra disse...

Querida Maria João, vim deixar-te um beijinho e parei aqui, neste poema que tão profundamente me tocou... também eu perdi o meu pai - fez, a 27 de Janeiro, 21 meses. Sei a tua dor, a tua saudade, a tua perda... sei, também, que na nossa memória os nossos pais jamais morrerão.

Um beijinho muito, muito grande.

E obrigada, mais uma vez, pela partilha!

I LOVE YOU disse...

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