22 de janeiro de 2010

Libertação



Devolvo à terra

O saber sedento da água cristalina
A fecunda criação verdejante
A fresca brisa envolta em neblina

Devolvo à vida

A utopia presa em voo alado
O lamento feito choro suplicante
O presente inteiro gasto em passado

Devolvo-te meu amor

O soneto febril, verbo imperfeito
A carícia colada à pele, viajante
O desejo que esculpiste no meu leito

Devolvo-me

Ao prazer de mergulhar em seiva minha
À recusa de saber-me degradante
À triste sorte de me sentir sozinha

Depois…

Lanço a alma ao mar e me liberto
Num acto insano, demente
De querer sorver-te mundo, tão impuro
Renascendo na maré, sentindo gente


15 comentários:

Adolfo Payés disse...

Hermoso poema..

Un gusto siempre leerte..

Perdón por mi ausencia siempre es un gusto visitarte..

Un abrazo
Con mis
Saludos fraternos de siempre..

Que tengas un buen fin de semana...

Angela Ladeiro disse...

É lindo e profundo. Uma arte...

Sofá Amarelo disse...

Quando a maré se renova traz sempre com as novas águas murmúrios de uma distância feita de passado presente, sentindo que o futuro não é mais que o verbo imperfeito que nos faz lançar a alma ao mar... e libertar assim os sentidos...

Muitos beijinhos! Bom fim-de-semana!!!

Carlos Albuquerque disse...

Maria João.
Devolvo, devolvo-me, depois...Lanço a alma ao mar e me liberto...renascendo na maré, sentindo gente.
Encontro neste poema um viajar, com presentes, pelo passado e futuro, ao jeito do traço genial de José Saramago.
Quanta beleza, vida e querer há nas suas palavras!
Se me permite, vou levar este poema comigo e guardá-lo no meu Livro de Encantos.
Beijinhos e bfs

Nova Civilização disse...

Lindo minha amiga. Suas poesias sempre tão belas me fazendo voar. Sentindo as palavras a me envolver.
É tão bom quando nos encontramos... nos devolvemos a nós mesmos. Essa é uma experiência sem preço. Sentir que estamos totalmente libertos! Libertos de: preconceitos, pessoas, amores que nos roubam, sentimentos, vícios... apenas ser gente sensível. Gente que ama a verdadeira liberdade.

beijinhos

Gisele

Nilson Barcelli disse...

Este será um dos teus melhores poemas que já li.
Acho-o excelente e gostava de ter sido eu a escrevê-lo...
Querida amiga, bom Domingo (aproveita o sol...).
Um beijo.

. intemporal . disse...

.

. e eu? .

. eu? .

. eu devolvo.me aqui .

.

,,, sempre .

. paulo .

.

Rosa Carioca disse...

Não tenho palavras... É lindo!

Meg disse...

Maria João,

Lindíssimas as "imagens" poéticas que nos mostras...
...A utopia presa em voo alado
O lamento feito choro suplicante
O presente inteiro gasto em passado
...
Muito, muito bonito, este poema.

Beijinho

Ana Martins disse...

Maria João,
uma sublimação da poesia, parabéns!

Beijinhos,
Ana Martins

mundo azul disse...

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Algumas vezes, precisamos lavar os ferimentos com escova e sabão... Dói, mas, nos livra de qualquer futura infecção.

Belíssimos versos tristes!


Beijos de luz e o meu especial carinho...

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LMDP disse...

Ao ler fez-me recordar "Miguel Torga"
Bonito.

Luis F disse...

E nas tuas palavras libertei-me e ganhei asas para voar...

Lindo

Gostei muito deste momento

Bj
Luis

. intemporal . disse...

.

. re.volto para deixar um beijo abraçado .

. e o meu amplo carinho . maria joão .

.

. paulo .

.

Mariazita disse...

Maria João
Acreditas que não sabia que "me tinha escapado" este teu post?
Vim cá - já nem sei quando... - li, mas não comentei na altura (muitas vezes acontece isto, porque venho muito tarde, tipo meia noite, ou mais), e pronto: varreu-se-me, como diz a outra.
Mas...mais vale tarde do que nunca.

É um belíssimo poema, sem dúvida.
Agora, que o reli, ainda gostei mais do que da primeira vez.

Agora vou para o seguinte...

Beijinhos
Mariazita