24 de novembro de 2009

Inquietação de inverno




Oiço o inverno a chegar, quando à noite vencem os cansaços
O meu corpo abraçado nos meus braços
E o vento em desalinho, a sussurrar

Penso na chuva a cair, que se oferece à natureza
Mas penso também na pobreza
De quem não tem onde dormir

Ao som do mar revolto eu adormeço, acreditando a sonhar
Que esta tristeza que não esqueço
Seja a minha alma a rezar

A rezar por alguém igual a mim, que eu não conheço
Que fugindo ao frio, não tem onde se abrigar



**

18 comentários:

Carlos Albuquerque disse...

Os sem-abrigo!
São o frio que nos gela o coração e encarquilha a alma. Muito do seu espírito fraterno aqui está, nas palavras sentidas que nos dá a ler!
Aproxima-se a época em que esta dor ainda mais nos magoa e nos faz ficar com um nó na garganta.
Associo-me a si, Maria João, daqui desafio os deuses a fazerem descer a Primavera da Vida que cubra os sem-abrigo, chegando-lhes um tecto.
BJS

Dri Viaro disse...

Oi, passei pra conhecer seu blog, e desejar boa semana.
bjsss


aguardo sua visita :)

Nova Civilização disse...

Querida Maria João,

Simplesmente, tudo que escreves vira ouro, refinado no papel!Sua generosidade e sensibilidade és o que mais aprecio em ti!

Deixo um presente, um poema de Olavo Bilac (conhecido como Príncipe dos poetas brasileiros),que me fizeste lembrar pela sua inquietação de inverno:

Saudades de ti minha amiga portuguesa!

beijinhos,

Os Pobres

Aí vêem pelos caminhos
Descalços, de pés no chão,
Os pobres que andam sozinhos,
Implorando compaixão.
Vivem sem cama e sem teto,
Na fome e na solidão:
Pedem um pouco de afeto,
Pedem um pouco de pão.
São tímidos ? São covardes ?
Têm pejo? Têm confusão ?
Parai quando os encontrardes,
E dá-lhes a vossa mão !
Guia-lhes os tristes passos !
Dá-lhes, sem hesitação,
O apoio de vossos braços,
Metade de vosso pão !
Não receies que, algum dia,
Vos assalte a ingratidão:
O prêmio está na alegria
Que tereis no coração.
Protegei os desgraçados,
Órfãos de toda a afeição:
E sereis abençoados
Por um pedaço de pão ...

Adolfo Payés disse...

Muy sentido y solidario tu poema.
Es todo un placer visitarte..

Un beso.
Que tenga un hermosa día.

Un abrazo
Saludos fraternos..

Talita Prates disse...

triste
mas bonito
e, pior:
tão real.

Um bjo.

Meg disse...

Maria João,

É muito bonito este poema

...O meu corpo abraçado nos meus braços
E o vento em desalinho, a sussurar
...

O poema no seu todo faz-nos reflectir na realidade que nos rodeia.
Gostei muito. E da música também!

Beijinho para ti

António Gallobar disse...

Olá Maria João

Um poema fantastico, que nos toca que nos comove, quanto miseria por aí grassa na rua à vista de todos, mas quanta deve existir encoberta, envergonhada de gente habituada a tudo ter e de repente vê-se na contigencia de escolher entre pagar a casa ou comer. Demasiado cruel...


Beijinho e mais não digo, a não ser isto

E se este Natal fossemos todos um pouco mais solidarios...

Paulo Sempre disse...

Oiço os uivos dos lobos e os alcatruzes das noras.
Estranha sinfonia...

Beijo

MCampos disse...

Um poema que deixa passar o sentir de humanidade, tantas vezes esquecido. Acreditar a sonhar é uma imagem bela, apesar da tristeza do poema. Gostei muito, Maria João.

(Estive ausente, mas é um prazer voltar ao seu blog.)

Beijinhos

Maria

Mariazita disse...

Querida amiga
Serão coincidências? Ou telepatia? É que já tem acontecido mais vezes...
Hoje vi um bocado duma reportagem sobre "sem abrigo's", que visava especialmente (ou talvez exclusivamente, não sei...) ex-combatentes que são ajudados pela Liga dos Combatentes.
Chego aqui ao teu doce cantinho e encontro um poema que visa os sem-abrigo... Interpreta tu...
Adorei este teu poema.
São belas as palavras que usas, tocante o assunto focado, perfeita a construção.
Eu considero-o um poema maravilhoso, em todos os sentidos.
Parabéns, minha querida.
Foi muito bom estar aqui contigo antes de ir entregar-me aos braços de Morfeu :)

Um beijinho de boa noite, com todo o meu carinho.
Mariazita

Sonia Schmorantz disse...

A sociedade é quem precisa cuidar dos seus pobres, não os Governos. Esta consciência precisa ser cultivada, para que se diminua estas diferenças e se leve um pouco mais de conforto a todos que precisam...
beijos

António Gallobar disse...

Olá Maria João

Não deixe de passar pelo meu blog tem lá um desafio para si.

Beijinho

AFRICA EM POESIA disse...

MARIA JOÃO


obrigada pela visita...
estou a melhorar...
hoje partilho um sorriso diferente...
está a ser um Dia dos mais felizes.
hoje aqui em casa houve...NATAL...

Cris Tarcia disse...

Olá, Maria João!

Lindo poema, mas triste quantas pessoas então por ai no frio, cada um com sua história. Já participei da tarefa café com pão, é uma realidade

Beijos e uma linda noite

Sofá Amarelo disse...

'Em cada gesto que faço tu és igual a mim' (Mafalda Veiga)... também já postei algo parecido... o pior é que não só inquietação de Inverno... é inquietação de toda a humanidade (com h pequeno).

Beijinhos!!!

Vieira Calado disse...

Essa pobre gente

como consegue sobreviver ao Inverno?

Beijinho

Angela Ladeiro disse...

Vim agradecer e fui brindada por este lindo poema. É bom que nos vão lembrando das realidades. Quem tem uma boa cama e algo para colocar na mesa, todos os dias...vai esquecendo do que se passa lá fora...

Luis F disse...

Um poema que muito mais do que ser lido, merece ser reflectido.

Excelente minha amiga, estás de parabéns pelas palavras e pelo alerta que dás.

Luis