2 de maio de 2012

O abraço da memória


Margarida Cêpeda

Imóveis sob o pó, descansam agora os espaços e os gestos, como extensões permanentes  dos corpos que neles se moveram. Trajectos maiores que a própria vida. 
Ouves-lhes as vozes enquanto passas, e sentes acordar do silêncio o nome certo das coisas que julgavas teres esquecido. Esta é a casa que tem o coração nos teus olhos, e onde permanecerás sempre menina dentro dos seus braços. Já não existe tristeza aqui, antes um colo onde a saudade se aninha com fome de reencontro, e a tua alma não se sente só. 
Existe um mundo nesta casa onde cresceste. Um mundo dentro de outro mundo, tão infimo quanto a terra perante o universo inteiro, tão particular quanto o movimento em que te respiras. Daqui nasceu o chão para tu seres caminho e todas as florestas com que te cruzaste depois, não foram mais do que atalhos para regressares aqui, a este abraço da memória.


13 comentários:

Sotnas disse...

Olá Maria João, desejo que tudo esteja bem contigo!

Belo escrito e como de outras vezes cá estão teu sentimentos expressos. Tua sensibilidade me faz retornar por estes atalhos e regressar ao abraço de minha memória e todas as lembranças deveras belas que me faz bem. Parabéns por este belíssimo escrito poético, pelas imagens e tudo neste teu lindo espaço.

Assim agradecido por tuas visitas e amizade eu desejo a você e todos ao redor um viver de intensa felicidade, abraços e até mais!

moi même disse...

Abraço-te nesse abraço, amiga...
Até já ;-)

Mar Arável disse...

Ai dos que não retêm a memória

para outros amanhãs

Ai dos que não amam

Dulce disse...

"O abraço da memória" ao sentir e ao ser, no nosso melhor provir.. Belíssimo amiga tudo o que aqui representas de Vida..muito mesmo.

Um abraço de muita gratidão, amigo!..
Dulce

Virgínia do Carmo disse...

É bom sentir o abraço de tudo o que nos trouxe a hoje.
É de paz este momento. De uma paz doce e profunda.
E depois, claro, há a beleza da tua escrita, que tudo engrandece.

Beijinho imenso, João

Sonhadora disse...

Minha querida

É nas nossas raízes que muitas vezes encontramos um eu perdido de nós.

Tinha saudades de te ler...adorei e deixo o meu beijinho com carinho.

Sonhadora

BRANCAMAR disse...

Querida Maria João,

A memória das nossas raízes está sempre no retorno a um lar eterno, a um colo que nunca se perde.

Belíssimo o teu texto.

Beijinhos

Mel de Carvalho disse...

há abraços que nos abraçam por dentro de nós; há poentes que se levantam das esquinas do tempo e nos revelam o início do verbo.

bem-hajas, minha amiga. tão belo este texto...
beijo daqui
Mel

Rosa Carioca disse...

Ao ler seu poema, recordei como senti o "abraço" ao retornar à casa da minha infância.

Bergilde disse...

A memória segue sempre os caminhos do coração e é nela onde cada coisa toma seu devido lugar.
Grande Abraço poeta,pois estarei me ausentando pelos próximos dias.

AC disse...

Maria João,
As memórias são fundamentais, e abraçá-las não é mais que um recarregar de baterias, a procura do sorriso que às vezes se dilui noutras estradas...

Beijo :)

Hanaé Pais disse...

Já não existe tristeza aqui.
As memórias ficaram as belas decantadas, coadas.
Memórias apenas as purificadas, têm lugar no meu coração.
Como regressar aos lugares felizes da minha infância.
Como sempre, lindo!

Rafael Castellar das Neves disse...

Excelente, Maria!! A cena é ótima e nos permite, leitores, as nossas saudades...

Abraço,

Rafael
Desce Mais Uma!