6 de novembro de 2010

Voltará a ser primavera


Adensa-se o céu
na contemplação dourada dos plátanos
que vencidos pelo cansaço e no desejo de noite,
se vergam ao pasmo das nuvens desfeitas.

É nesse infinito de sombras
que se inebriam as folhas,
regressando ao pó, em círculos e voltas
e a ele se rendem em dádiva
num sopro asfixiado de vida,
alento e alimento,
no esperado rigor da geada.

Por isso, e no adil do inverno,
sorri de esperança, a raiz cravada na terra
porque quente é a seiva dormente
e isso, sendo um pouco de nada
é tudo o que tem o tronco despido,
para se manter erguido,
acreditando
que voltará a ser primavera.


22 comentários:

AC disse...

É em palavras assim que temperamos a esperança na harmonia do fluir dos dias...

beijo :)

Lia disse...

Maria João,

sorri de esperança a ler tão lindas palavras - voltará com toda a certeza a ser Primavera!

Deixo-te um pensamento de (Cecília Meireles.)

"Aprendi com a primavera; a deixar-me cortar e voltar sempre
inteira."

Beijinho amigo e cheio de sol*
Bom fim de semana.

Lídia Borges disse...

As folhas - pó, adubo e alento da raiz. Renovação e Vida, na perfeição da circularidade dos "relógios".

Um beijo

Sonhadora disse...

Minha querida
Um belo momento de poesia...que o nosso Inverno dê sempre lugar a uma Primavera risonha.

um beijinhos com carinho
Sonhadora

Ana Martins disse...

Boa noite Maria João,
é por essa seiva quente e dormente que todos os dias o Sol nasce.

Lindíssimo.

Beijinhos,
Ana Martins
Ave Sem Asas

Nova Civilização disse...

Amiga,

ontem mesmo estava a pensar na primavera , nos seus encantos. O que Ela tem para nos ensinar... linda a sua poesia. Obrigada!

"pode-se cortar todas as flores, mas não se pode impedir o retorno da primavera"

-Provérbio Hindu-

beijinhos no coração,

bom final de semana,

Gisele

Carla Farinazzi disse...

Maria João

Às vezes tudo que nos resta são as raízes fincadas no solo e um tronco onde já não se vêem mais folhas nem flores nem frutos nem nada. Mas uma esperança sólida ainda a pulsar. É ela que movimenta em direção à primavera dos nossos dias...

Lindo o teu texto, minha cara!

Beijos

Carla

manuela baptista disse...

porque é quente

é suave o estar dos plátanos
adormecidos

e o desejo que sinto deste poema desfeito
empoeirado de folhas verde-esperança

a sua, Maria João!

um beijo

manuela

Jaime Latino Ferreira disse...

MARIA JOÃO


Querida Amiga,


SONHO


Dorme seiva
dorme e sente
o acordar a semente
pois não virá tarde
e dormente
será o sonho da gente


Um beijinho


Jaime Latino Ferreira
Estoril, 6 de Novembro de 2010

Carla Farinazzi disse...

Maria João

Volto ao teu blog para lhe dizer que o indiquei para o Prêmio Dardos, um selo bem bacana. E o teu blog, na minha opinião, o merece...
Não sei se gostas ou não destes selos, mas se quiser, passa lá no PBI e pega-o

Beijos

Carla

Carmo disse...

Olá Maria João, bonito momento de poesia. Certamente a Primavera voltará para vestir o tronco nu. Vesti-lo de poesia.

Abraço e óptima semana

Andy disse...

Saudades de estar aqui...e hoje ler as tuas palavras vestidas de outono.
a música é linda já a conhecia, em perfeita sintonia com os teus versos.

saudades
Beijinho amiga!

Sofá Amarelo disse...

É nas sombras infinitas que o tronco despido se mantém erguido no esperado rigor da geada... porque logo, logo as nuvens se desfazem dando lugar à dádiva da Primavera...

Dulce AC disse...

Olá Querida Amiga..

Claro que sim..=)
Voltará em breve a primavera..
e com ela tudo aquilo a que temos direito
ao Sol e às flores nos campos
podemos já hoje começar...a sorrir

um beijinho grande grande...
muito bonita a esperança nas tuas palavras
abracinhos!

dulce

Carlos Albuquerque disse...

Maria João
Alguém disse, já não me recordo quem,que em muitas das estrelas no céu vive um poema.
Estou em crer que assim seja. Numa dessas estrelas, de brilho raro, não vive um poema, mas habita a sua poesia que, de quando em vez, desce até nós e nos brinda.
Hoje aconteceu com este sublime "Voltará a ser primavera".Não lhe coloco palavras de comentário. Deixo-o assim, intangível, apenas aberto à leitura do olhar.
Mas não posso deixar de dizer que nele encontrei uma expressão de sabor transmontano (adil)que só raros escritores de grande domínio da nossa língua utilizam!
Grande abraço.
--
PS - Editei em post um dos seus últimos comentários no meu blogue. Espero que perdoe o abuso.

BRANCAMAR disse...

Maria Joao,

Lindíssimo, este hino de esperança e renovação.

Beijinho imenso
Branca

Mariazita disse...

Boa noite, querida amiga
Obrigada pelos teus votos de melhoras que, por agora, ainda não surtiram grande efeito :)
Estou um pouco melhor, sim, mas ainda tenho muita tosse. Não sei quando vai passar...
Na tua qualidade de enfermeira deves saber que, quem sofre de asma, está muito mais sujeita a estas investidas nas mudanças de estação. Deixa p'ra lá!

O teu poema é maravilhoso!
Acalenta-nos a alma, transmite esperança no futuro. Afinal... a primavera acaba sempre por chegar, não é mesmo?

Uma noite feliz, minha querida.
Que os Anjos velem o teu sono.

Semana feliz. Beijinhos

Carla Farinazzi disse...

Maria João, a próposito do Blog do Carlos Albuquerque, deixo-te cá, a mensagem por mim postada lá:

"Carlos,

Ao juntar essas duas maravilhosas cabeças "Maria João" e "Carlos Albuquerque" tem-se ideias espetaculares. Maria João lança uma ideia esplêndida, que teria muito mais efeito (na minha humilde opinião) do que uma greve geral com baixa adesão. Lembro-me, aqui no Brasil, quando todos nós, homens, mulheres, jovens, crianças, velhos, saímos às ruas vestidos de preto e com as caras pintadas com as cores verde e amarelo. Para expulsar o ex-Presidente Collor de Mello do Governo, diante de tantas denúncias de corrupção e com o povo relegado à mais absoluta miséria. E deu certo! Ele sofreu o impeachment e renunciou ao cargo.
E assim nos livramos daquele que foi um dos governos mais corruptos da história do Brasil, eleito democraticamente após a ditadura.
O povo tem força. Basta que se mobilize. Basta, como você disse, que se deixe de lado o doce nada fazer do sofá e o encolher de ombros que tolhe e diminui e não resolve nada.
As pessoas têm que ter consciência da força que têm.

Beijos

Carla"

contagotas disse...

O ciclo da vida é um movimento perpétuo que as árvores, na sua imensa sabedoria, bem conhecem. Ainda que as primaveras sejam esperadas, os invernos são retemperadores das energias necessárias à explosão de vida que elas representam.

Beijo grande Maria João, os seus poemas são como as primaveras. Sempre voltam.
MariaIvone

MCampos disse...

E é esse ciclo da Vida, que nos move. Lindíssimo poema.


Um beijinho, Maria João, e resto de boa semana.

. intemporal . disse...

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. a ser que seja na primazia da estação que re.nasce a vida desde a página zero .

.

. as tuas palavras, densa.mente povoadas já são há muito a raiz que cravaste no ventre que te é essência ao peito, à passagem de todos os temporais .

.

. maria joão, gostei muito .

.

. um beijo imenso .

.

. paulo .

.

Virgínia do Carmo disse...

A vida é mesmo isso... um ciclo de esperas e de retornos, de perdas e recuperações...

Sempre tão dóceis e redentoras, as tuas palavras! OBRIGADA!

Terno abraço