14 de novembro de 2010

Na dobra da noite



Na dobra da noite, é o silêncio que me toca a ponta dos dedos e me leva até à janela. Eu fico ali, de vida debruçada, madrugada fora à espera de mim.

Sei-me pé-ante-pé, com o vértice de uma estrela preso ao peito, seguindo o rasto redondo do mundo.

Quando por fim me abraço, no afago quente de um reencontro, já o sol me espera para se entrançar no meu cabelo, enquanto a lua se despede do meu olhar levando com ela tudo o que me ensinou sobre solidão.


25 comentários:

Jaime Latino Ferreira disse...

MARIA JOÃO


Querida Amiga,


DEBRUÇADA


Recolho-me em mim
com a vida dobrada
em noite sem ter fim
até que saturada
ao Sol que me diz sim
me acorda nesta estrada


Um beijinho


Jaime Latino Ferreira
Estoril, 14 de Novembro de 2010

manuela baptista disse...

dobro a noite

divido-a ao meio
redobro-lhe as pontas

aliso os nós
vinco-a para que não se esqueça de mim

quando o sol me entrança
navega o meu barco de papel
num mar de esperança

.

aprendendo a noite e a solidão desta página, Maria João!

um beijo

manuela

Carmo disse...

"eu fico ali, de vida debruçada, madrugada fora à espera de mim" Adorei! Magnífico poema.
Beijinhos e boa semana

MCampos disse...

Uma prosa poética bela! Com imagens de um efeito literário superior, permita-me dizê-lo, Maria João. A sua escrita merecia mais leitores, muitos leitores...

Um beijinho e bom domingo.

Maria

Carla Farinazzi disse...

Minha querida,

Você escreve muitíssimo bem, e eu consigo ENXERGAR tudo o que você diz em seu texto.
Até o encontro da lua e do sol em você...

Beijos

Carla

Lídia Borges disse...

O desenho da solidão tem, às vezes, o dom de traçar imagens inefáveis que acariciam.
E tudo se compõe, quando os alvores da manhã chegam sobre a forma de reconciliação.

Lindo!

Beijo meu

Sonhadora disse...

Minha querida

Lindo e nostálgico o teu texto...realmente quando nos abraçamos, sentimos todo o silêncio que vive em nós...

Beijinhos com carinho
Sonhadora

AC disse...

Maria João,
Quase sempre o reencontro se dá nas pequenas coisas...
Foi muito agradável fazer-lhe companhia à lua...)

Beijo :)

Rosa Carioca disse...

"... a lua se despede do meu olhar levando com ela tudo o que me ensinou sobre solidão."

Sem palavras...

Dulce AC disse...

Que bom ...que bom que é...quando a lua vai embora e leva tudo..tudo o que tinha em mim de solidão
ficando a esperança
num olhar de muita ternura a um novo dia que começa...

muitos beijinhos e um abraço forte de Sol

dulce

Nova Civilização disse...

Amiga,

Apaixonante...

O Sol e a Lua. Momento de Luz e solidão.

Lindo!

beijinhos

Gisele

AFRICA EM POESIA disse...

Maria João


Saudades


....... O meu livro "CAMINHEI...CAMINHANDO!" finalmente vai nascer.......
Mais um sonho realizado.
Um sonho transformado em poesia.
A todos os meus amigos deixo a capa no meu blog

um beijo
lili laranjo

contagotas disse...

Quantas noites temos assim, Maria João.
Mas ninguém as descreve como voçê!

Bjs
MariaIvone

Mariazita disse...

Querida Maria João
Muito obrigada pelos teus votos de sucesso para o Lançamento do meu livro.
O teu espírito, que eu senti lá presente, ajudou (de certeza!) a que tudo corresse bem.
Estou à espera que o fotógrafo me entregue as fotos (prometeu-mas para amanhã) para fazer um post reportando o acontecimento.

Adorei este teu texto poético.
Consegues transmitir vivamente a ideia de uma alma solitária, que passa a noite admirando a lua, até que o sol se faça anunciar.
Gostei mesmo muito (tu sabes como gosto do que escreves :). )

Uma boa semana. Beijinhos

A.S. disse...

Maria joâo...

Amanheceu à hora que devia ter anoitecido!...

Belo o teu texto, como aliás já nos habituaste!

Beijos...
AL

Beatriz disse...

Maria João
Que linda poesia!
Por isso é sempre bom passar por aqui de vez em quando para relaxar a alma!
beijinhos,
Bia
www.biaviagemambiental.blogspot.com

Sofá Amarelo disse...

É na dobra da noite que tudo acontece, que o vértice do silêncio se debruça madrugada dentro e leva uma estrela no olhar...

Carla Farinazzi disse...

Maria João,

Sinto muito quanto ao "2666", rsrsr. Eu realmente, em determinados momentos, estive à beira da loucura com ele, rsrs. Talvez se você lesse o primeiro livro, depois o quinto, e depois o quarto, seja melhor. O segundo e o terceiro dá pra deixar pro final.
Mas gostaria de conversar com alguém que o tivesse lido.

Beijos

Carla

Nilson Barcelli disse...

Às vezes precisamos da solidão para nos reencontrarmos...
A maneira como o disseste é apenas brilhante... escreveste um verdadeiro poema.~
Gostei muito querida amiga João.
Beijinhos.

Mar Arável disse...

Por vezes feliz mente

sós
mas nunca isolados

Bjs tantos

Andy disse...

Maria João,
ainda chego a tempo deste luar tão teu/tão nosso...
quantas vezes também me deixo à janela, noite dentro na esperança de a lua me ouvir...
guardo sempre o secreto sonho que me conceda algum desejo sussurrado.

Beijo querida amiga!

Lia disse...

Maria João,

lindo!( Sol e a Lua);0)

Beijinho amigo*

Virgínia do Carmo disse...

E é tanto o que nos ensina a solidão, por vezes...

Lindo...

Um terno e saudoso abraço!

BRANCAMAR disse...

Maria João,

É tantas vezes na solidão que se aprende tanto, que se cresce, é no silêncio que tudo é verdade..., embora para outros silêncio possa ser sinónimo de um abandono atroz, de uma solidão pesada.
O seu silêncio dito assim é tão suave, sereno, mas o que a lua lhe ensinou acredito que tenha a ver com toda a sensibilidade que transporta dentro de si.
Um texto lindíssimo, poético.

Beijos
Branca

Filoxera disse...

Solidão... Mas a mente raramente está só. :-)
Fui lendo, por aqui abaixo. Gostei.
Ah! E a Vida é Bela é um dos meus filmes de eleição.
Beijos.