24 de novembro de 2010

Mulher imensa



Que fazes tu, mulher
Ao brilho dos teus olhos
Quando empardecidos
Se rendem à salga da vida
Na espera do amparo de um anjo?

Que fazes tu, mulher
Ao que te lateja no peito
Silenciado e dormente,
Incandescente
Quando o tempo te consome?

Diz-me, que cor têm as cinzas
Do leito onde adormeces
E desfaleces cansada
Quando o corpo se esvazia de nada!

Diz-me a que te sabem os lábios
Quando tens de morder as palavras
Vazias, geladas de solidão
Devolvidas e retalhadas
Do tanto que nelas plantaste
Em forma de coração!

O que fazes tu, mulher imensa
Do que guardas na lembrança
E não dizes, apenas

Para que a tristeza,
Não te faça perder a esperança?



21 comentários:

Andy disse...

só te sei dizer... que não sei a razão exacta, mas emocionaste-me grandemente amiga!

Beijo salgado
p.s. tenho andado em "silêncio"

Sonhadora disse...

Minha querida

Simplesmente sublime.


Diz-me, que cor têm as cinzas
Do leito onde adormeces
E desfaleces cansada
Quando o corpo se vazia de nada!

Como falou de mim este poema.

beijinhos com carinho
Sonhadora

Jaime Latino Ferreira disse...

MARIA JOÃO


Querida Amiga,

Assim me saíu esta réplica:


IMENSA


Imensa
densa serás
que fazes
que me trarás
teu ventre esperançado
universo
berço de vida
o anverso
onde nasce o desejado
clamor de justiça que dás


Um beijinho


Jaime Latino Ferreira
Estoril, 24 de Novembro de 2010

AC disse...

Um canto imenso, dorido, vindo lá do fundo...
(Porque a lucidez, por vezes, nos leva na barca da amargura...)
Maria João, fico, como sempre, impregnado das suas palavras

Beijo :)

BRANCAMAR disse...

Querida Maria João,

Sem palavras...apenas uma grande emoção de tão belo, de tão grande, de um coração tão intuitivo e sensível, o seu.

Sabe, Maria João, muitas vezes durante toda a vida, sempre que estava muito realizada e ainda hoje no meu trabalho, na minha vida me lembro de outras mulheres, as que estão nas fábricas de sol a sol, que não veem os filhos durante a semana, que trazem o corpo e o espírito cansado e apenas se arrastam e doem-me essas mulheres, porque tudo o que possamos ter de menos é tão pouco no mundo delas.

Obrigada por este belo momento, tremendamente comovente.

Beijos
Branca

Lídia Borges disse...

A mulher-mulher, a mulher-mãe, a mulher-trabalhadora, a mulher-filha, a mulher-educadora, todas elas cabem neste louvor à "Mulher Imensa", porque, da mulher ainda se espera (como se fosse coisa fácil) que acumule as funções e se faça enorme, maior do que muitas vezes consegue ser.

Um beijo

manuela baptista disse...

não sei!

sinto-me apenas imensa, de tão pequena que sou...

um beijo

manuela

Lia disse...

Maria João,

"imenso" este teu sublime poema!

Mulher Imensa - (somos todas).:0)

Beijinho cheio de Sol*

MariaIvone disse...

Mulher imensa, perdida num imenso e profundo soletrar de imagens que compõem o seu todo. Mulher imensa, porque imenso é o seu querer e a sua força.
Maria João, impossível ficar indiferente ao imenso valor da sua poesia.

Bjos

Nilson Barcelli disse...

Ler-te, é a certeza da surpresa das tuas palavras. Sim, surpreendes-me praticamente sempre que te leio. Pela positiva, pois claro.
Tudo isto para te dizeer apenas que achei o teu poema excelente. Muitos bons poetas, já consagrados, gostariam de o ter escrito. Eu também, mas não sou poeta e muito menos consagrado...
Minha querida amiga Maria João, desejo-te um óptimo resto de semana.
Um beijo.

Mel de Carvalho disse...

Querida João,
imensa é a alma capaz de transportar para o papel (ao caso a tela), uma visão tão profunda do que a rodeia.
Subscrevo o que foi dito acima. Grandes nomes, poetas de renome, gostariam de ter assinado este poema. Eu, querida amiga, apenas e só uma artesã da palavra, rendo-me à imensidão do teu talento.

Beijo amigo, a ti, sim, "mulher imensa".

Mel

Eduarda disse...

Maria João,

entrei, li e fiquei suspensa.

da beleza que encontrei fico fã.

bj

A.S. disse...

Maria João,

«A Mulher é a substância de todas as coisas» ( NOVALIS)

Belo o teu poema!


Beijos
AL

Dulce AC disse...

E tu mulher imensa...

acalenta essa esperança
que é em tantos dias
uma nova voz
um abraço de muitas cores
à Vida

Lindíssimo este poema ...

Olá João..:-)
continuo com o teu sorriso, obrigado...
E Muitos beijinhos de BDia para ti.

Dulce

Nova Civilização disse...

Amiga,

Tão lindo... e tão real.

a esperança palavra que sempre deveria estar escrita em nosso coração,

Eu gosto muito do que escreves.

beijinhos no coração

Gisele

António Gallobar disse...

Olá minha querida amiga

Quase fico sem palavras, para comentar tamanha beleza, não sei se me vou repetir, mas acho este poema sublime, um verdadeiro hino à mulher, uma lufada de ar fresco nesta altura em que tuda anda deprimido.

e aqui deixo as palavras de poeta que nos incentivam:

"O que fazes tu, mulher imensa
Do que guardas na lembrança
E não dizes, apenas
Para que a tristeza,
Não te faça perder a esperança?"

Fantastico, beijinho



.

Mariazita disse...

Querida amiga
Eu também te seguiria até ao fim do mundo, se fosse caso disso :)

O que dizer do teu poema?
Que é sublime, excelente, inigualável?
Não sei como classificá-lo.
Sei que, ao lê-lo, formou-se-me um nó na garganta.
Há mulheres mais imensas do que outras, embora o teu poema seja uma ode à Mulher.
Não me atrevo a dizer mais nada.

Uma noite feliz. Beijinhos

Sofá Amarelo disse...

Mulher Mulher
Mulher e mãe
Mulher e filha
Mulher amante
Mulher carreira
Mulher esperança
Que nunca se cansa!

Mulher batida
Mulher violada
Mulher sentida
Mas depois erguida
E nunca calada!

Mulher betão
Mulher pilar
De uma construção
Que nunca desaba
Mulher que acaba
E que recomeça
No dia seguinte
Mulher sofrida
Que mesmo sozinha
Vale por vinte!

Mulher ternura
Mulher cristal
Mulher romance
Mulher bonita
Mulher ideal...
Ou Mulher normal

Mas sempre sempre

MULHER TOTAL!!!

Carmo disse...

Excelente poema no feminino, intenso e sofrido.

Beijo e boa semana

Virgínia do Carmo disse...

Diz-me tu, João, que és sem dúvida, uma mulher imensa...

Poema muito belo...

Terno beijinho para ti e minha admiração, SEMPRE!

biian souza. disse...

Não conheço. É de dua autoria?