29 de agosto de 2010

Mais forte do que um braço



Se pudéssemos rasgar a palavra
E dissecar-lhe o sentido
Na espessa alquimia dos prantos

Se soubéssemos ser éter
A descrever o verbo
Na curva permanente de um beijo

Ah se fossemos apenas
O mais simples simplesmente
Entre a boca que diz
E a mão que não mente

Não haveriam pontos nem vírgulas
No trilho que seguimos
Soltar-se-iam todas as metáforas
Nas línguas mordidas de silêncio
E em cada letra o sol brilharia
Como a rima num verso

Se déssemos a alma à palavra
Nenhum sussurro morreria
Porque sendo mais forte do que um braço
Um laço
Sempre a palavra seria




22 comentários:

Sonhadora disse...

Minha querida
Quanto sentimento, no teu belo poema.

Ah se fossemos apenas
O mais simples simplesmente
Entre a boca que diz
E a mão que não mente

Maravilhoso
Beijinhos

Jaime Latino Ferreira disse...

Maria João


Querida Amiga,


Mais forte do que um braço
a palavra sendo laço
mais do que abraço seria
maravilhosa alquimia


Um beijinho


Jaime Latino Ferreira
Estoril, 29 de Agosto de 2010

BRANCAMAR disse...

Maria João,

Ainda bem que guiada pela mão do Paulo cheguei um dia a este teu espaço, onde cada página me encanta.
Mensagem tão linda e verdadeira a deste poema, onde está toda a transparência da vida, que poderíamos ousar e compreender tornando-a mais bela.

Saio feliz com tudo, tembém com a música linda que deixaste e com a imagem que escolheste.

Deixo-te beijos e votos de um BOm fim de semana.
Branca

Lídia Borges disse...

O sol sempre brilha no coração dos simples cuja palavra se faz gesto e cada gesto, poema...

É um privilégio poder ler-(te)!

Um beijo

Adolfo Payés disse...

Que delicia acercarme a tu blog.. y leer estas hermosas letras..


Un abrazo
Con mis
Saludos fraternos... de siempre..


Que la semana sea de las mejores, son mis mejores deseos..

A.S. disse...

M.João,

As palavras hão-de sempre acompanhar-nos, inquietas, entre o sonho e a fúria!

Belo o teu poema!

BjO´ss
AL

manuela baptista disse...

então eu rasgo as palavras
porque posso

e em cada trilho
reinvento um som

porque na alma do mais pequeno traço
está o braço

e o laço
será sempre e apenas esse dom

o seu, Maria João

e

"sempre a palavra seria"!

um beijo

Manuela

KrystalDiVerso disse...

Há muito que não via pontuação tão ajustada!!!!!!!!!!!!... E a Palavra!... Mordida pelo desperdício da utilização oblíqua de uma perpendicular quase deitada!... Como a palavra ensonada, que se esconde na visibilidade de um qualquer despertar. Pontuado!... Para voltar a adormecer em embalos suaves dos trovões irados... pela Palavra!... SEm o sentimento Pontuado!... Como uma anarquia que obriga a que cada um seja o que sempre será e pouco mais lhe reste senão o continuar a ser...como sempre foi!... Sem o contágio da emoção que não aprendeu a manifestar-se num exíguo coreto onde nada faz abrandar, acelerar, parar um ímpeto à solta, com um freio incrédulo nos dentes!... Que mordem a Palavra!... Sem inquisições!... Sem a Solidariedade das... Palavras!... Sem pontos...





Boa semana




Escolham entre... beijos e abraços

Fernanda disse...

Amiga Maria João!

Esta é a minha primeira vez na sua casa!
Sei que não será a última! Se mo permitir...


Este eu sei de cor...

As palavras

São como um cristal,
as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio.
Outras,
orvalho apenas.

Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as águas estremecem.

Desamparadas, inocentes,
leves.
Tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.

Quem as escuta? Quem
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?

Eugénio de Andrade

Abraço
Ná - Na casa do Rau

AC disse...

Maria João,
Já li várias vezes e não vou ficar por aqui. Este é um daqueles poemas que se insinua, envolvente, abrindo a pouco e pouco novos caminhos, sempre mais e mais...
Está a escrever como nunca, e sinto-me grato por poder segui-la.

Beijo :)

argumentonio disse...

enlaçado, pois...

;_)))

Braulio Pereira disse...

poesia intenssa

forte..

gostei


abraço dá-me poesia!!

Nilson Barcelli disse...

"Ah se fossemos apenas
O mais simples simplesmente
Entre a boca que diz
E a mão que não mente"

Excelente poema, querida amiga. Na forma e no conteúdo.

Boa semana, beijos.

contagotas disse...

Se pudéssemos, soubéssemos, fossemos e déssemos, não haveriam pontos nem vírgulas e as palavras ganhando alma, soltar-se-iam.

Muito bonito o seu poema!

Bj
MariaIvone

Rosa Carioca disse...

Eu sei que sou repetitiva mas... amo ler seus poemas!

Vieira Calado disse...

Bem, amiga!

Do poema gostei...

Agora outra coisa:

Os seus estimados comentários no meu blog,

não entraram.

Não sei porquê.

Tentei várias vezes e não consegui.

Beijocas

Nova Civilização disse...

Amiga Querida,

lindo! se pudésse, ou melhor podemos... concretizar as palavras e nela reiventarmos os mais atos puros, pleno em amor...

obrigada por essa belíssima partilha!

beijinhos no coração

Gisele

João Correia disse...

Não à volta a dar: terei de reler e reler e reler, até assimilar o mínimo do máximo de sentimento que conseguiste fazer ondular e entrelaçar por entre as tão intensas emoções com que magistralmente sombreaste estas palavras feitas poesia.

Bjs.

Braulio Pereira disse...

teu perfume de flor
poeta e mulher
és onda do Amor
doce amanhecer

do meu coraçâo
para ti
em forma de gratidâo
este verso escrevi


obrigado tanbem pelas tuas palavras de carinho
vamos dar poesia e AMOR ao Mundo

beijo!!

Ana Martins disse...

Boa noite Maria João,
o que dizer deste maravilhoso poema?
-Nada, a não ser que adorei!

vim também para dizer que no meu Álbum de Recordações há um miminho para si.

Beijinhos,
Ana Martins
Ave Sem Asas

Virgínia do Carmo disse...

Porque não há pontuação que dite a cadência certa - invisível - dos afectos...

Terno abraço, João!

Sofá Amarelo disse...

Poderemos sempre rasgar as palavras e descrevê-las sem pontos e sem vírgulas, em trilhos de silêncio onde os sussurros têm a forma de um grito mudo... só assim os verbos terão a forma de metáforas enlaçadas num abraço....