22 de junho de 2010

Preciso.te




Preciso saciar-me em ti
Entrelaçar as memórias nos teus olhos
E sentir-te marear no meu corpo
Contornando as minhas tempestades
Preciso que me recebas assim,
Candeia faminta sem luz
Na dor que me atormenta, gota a gota
E nela, te faças rio de água minha, salina
Depurada em tua boca





14 comentários:

Blog do Óbvio - Manoel disse...

Maria João, querida amiga. Que postagem maravilhosa. Adorei a sensibilidade.
Beijinho carinhoso com sabor de rio de água pura.
Manoel.

Ana Martins disse...

Que maravilha Maria João, sou sua fã!

Beijinhos,
Ana Martins
Ave Sem Asas

Nova Civilização disse...

Maria João,

nada como uma calmaria para nos fazer repousar...

obrigada pelas partilhas que nos fazem sentir tão vivas,

beijinhos no coração,

Gisele

Virgínia do Carmo disse...

Chego enternecida pelo carinho plantado no meu lugar, e parto, muito mais grata ainda, por me ter sido deixado por uma alma que tanto (se) eleva (n)a poesia...

Ternuríssimo, este poema...

Um abraço e a minha admiração!

Sofá Amarelo disse...

Marear é preciso, entrelaçar memórias em candeias que contornam tempestades também é preciso, porque os olhos são o corpo de luz onde as águas se fazem rios...

Mel de Carvalho disse...

A depuração de e na palavra, querida Maria João, só é possível quando, descalços de petulâncias nos induzimos de jocobinas vontades, nos sentimos, peregrinos, romeiros em busca do templo alto e divino onde, a língua pátria tece cenários de humanidade.
A poesia, a arte suprema de tecer teias de afectos com os mais doces e, simultaneamente, fortes, filamentos de empenho, é, em certos momentos, a barca, a gôndola ou, porque não, a jangada, em que, em busca do nosso próprio âmago, entrelaçamos o passado e o presente em saudades de futuro. Por dentro da Sua mão-poema, somos mais livres, mais multifacetados - cristais ainda por brunir, e logo, e já, diamantinas claridades.
Não sou critica literária, minha amiga, sobre tal matéria nada sei. Sei, contudo, do vento, do alento, ou da voragem que me exalta a alma, quando me encontro perante palavras que, como a tua, dão sentido às palavras (e não temo o pleonasmo de tu dizer …); sei de que matéria, substancia e substrato, se fazem aos meus “olhos d’água”, os vultos dos autores/poetas contemporâneos que, neste e naquela forma - papel e/ou suporte digital -, dão novos mundos ao mundo; sei ainda de como revejo na tua estrutura literária a marca indelével da qualidade, a marca do traço continuado - poesia/prosa/crónica; e sei, não duvidando (duvido de tanto em meus saberes…), sei, dizia, que, quem domina a palavra percorre o espectro lato das emoções e das vivências humanas, que articula, sabiamente, e a cada novo trabalho com habitat naturais e experienciados - no teu caso, a vivência hospitalar. E deixa legados únicos.

Julgar o que escreves, é pois, algo que ficará sempre aquém do lirismo do que escreves - a chave dos “pequenos detalhes” reside, a meu ver, na capacidade interpretativa e no despojamento de cada um. O valor criativo é, querida João, teu. A tua obra - toda ela -, celebra a vida ao mesmo tempo em que, questiona o rumo da humanidade. E, se mais razões não houvessem para te distinguir, esta seria bastante. Todavia existe o todo, o burilamento esteta, a polidez, a luz. A metáfora conseguida …

Que mais diga? Desculpa, fui … prolixa ... Apenas bastaria dizer: tua profunda admiradora.

Bem-hajas, João, pela partilha


Beijo
Mel

Mar Arável disse...

E porque não

tão só

água de beber

Bj

Talita Prates disse...

Intenso e belo, Maria!

Gostei muito!

Bjos do Brasil,

Talita
História da minha alma

A.S. disse...

M. João,

Depois de uns dias de férias, chego e encontro esta delicia de poema!!!Ah!...

Beijos
AL

ParadoXos disse...

o que mais dizer?
sem palavras...

Mariazita disse...

Meus deuses!
Como consegues imprimir tanta beleza a um poema que escreves com meia dúzia de palavras???
Eu sei o teu segredo: falas com a alma.
Continua a usar o dom que Deus te deu, e a partilhá-lo conosco.

Beijinhos, querida amiga

Nilson Barcelli disse...

"E nela, te faças rio de água minha, salina
Depurada em tua boca"
Bravo... O teu poema é excelente.
Um beijo, minha amiga Mª João.

Lídia Borges disse...

Escreve como quem pinta paisagens da alma.
É por isso que as palavras são tão intensas e belas.


Um beijo

Alexandra disse...

Minha querida Maria João,

obrigada pelo teu carinho e amizade e pela beleza das palavras que derramas na minha alma...

Um beijo.


Voltei... e para ficar. :-)