17 de abril de 2010

No nada que sou



Despida por astros que gravitam em céu aberto
E me salvam das nuvens onde tropeço, incauta
Deslindo o enigma do tempo de ser tanto
No nada que sou
Ao sabor dos aromas do vento
Que trazem e levam a minha própria poeira
E nela me deito e me perco
Sem eira nem beira
Cega de sol e de assombro
Espalho as palavras na areia
Semeio-as nas pedras da rua
Solto enganos em céu aberto
E a alma se despe de mim
Deixando-me nua

23 comentários:

Nilson Barcelli disse...

A sementeira das tuas palavras é sempre fértil e germina em mim um aroma a céu aberto de assombro sempre que te leio.
Excelente, querida amiga Maria João, mais um poema de se lhe tirar o chapéu... gostei mesmo muito.
Bom fim de semana.
Beijos meus.

Lídia Borges disse...

"Cega de sol e de assombro
Espalho as palavras na areia
Semeio-as nas pedras"

O meu deslumbramento pelas palavras encontra aqui reflexo.


Muito bonito!

Mariazita disse...

Estive cá ontem à noite e li o teu poema, mas estava com tanto sono que não tive coragem para comentar.
Já não tenho arcaboiço para noitadas (rsrsrsrssssssss).
Gostei muito, é claro. Apesar do sono que sentia deu para perceber que é um belíssimo poema, o que, de resto, acabei de confirmar, relendo-o.
Parabéns, amiga.

Bom fim de semana.

Beijinhos

tulipa disse...

Não uso máscaras, talvez por isso, por ser franca e directa, não tenha os amigos que gostaria de ter...é o preço a pagar!!!

Seguem umas palavras que escrevi hoje, num momento de muita solidão e incompreensão neste Mundo.

Apenas os meus passos quebram o silêncio
Tudo o resto à minha volta cessou
Outros sons existem na minha alma dorida
De palavras ditas sem pensar, para magoar
Vindas de pessoas que se dizem amigas
Mas…infelizmente não sabem o que isso é!
Os amigos de verdade não fazem isso…
Afinal, o que fazem os amigos de verdade?
É uma questão que coloco cada dia mais
A mim e aos outros; é que não sei mesmo…
Há falta de amigos, de camaradas, de pessoas…
Estou silenciosa, por vezes acontece…
Não me parece, conheço-me bem
Nunca, nem um segundo; o silêncio em mim é mau sinal
Garanto-vos!!!
Aproxima-se o dia do meu aniversário
Coincide com aquele dia do ano,
que muitos se lembram de mim
e, mais uma vez, pergunto:
e, nos outros 364 dias, onde andam?
Ou…onde ando eu? Noutro planeta?
Quem sabe…É-me difícil avaliar.
E, dentro do meu peito ouve-se algo
é sempre o mesmo murmúrio, lá bem fundo
triste, fluindo ininterruptamente,
dói…se dói…
porque é o sentimento que confere o significado à Vida.
(palavras minhas)

Beijinhos.

Talita Prates disse...

que LINDO,
o teu "nada".

Um bjo, Maria.

Talita
História da minha alma.

Ana Martins disse...

Boa noite Maria João,
muito lindo, bem ao estilo e qualidade a que já nos habituou.

Beijinhos,
Ana Martins

Cris Tarcia disse...

Maria João, você sempre me encanta com suas palavras.

Beijos

Sofá Amarelo disse...

É nas pedras da rua que os aromas do vento semeiam os enigmas do tempo e recolhem as palavras espalhadas na areia, trazidas e levadas pela poeira das almas...

João Correia disse...

Será sempre a dialéctica da nossa existência: somos tudo e não somos nada. Perseguimos certezas que mais tarde ou mais cedo serão confrontadas com a sua própria negação.
A tua poética tem esta coisa de ter de se reler sempre, para nos apercebermos do que espreita por entre virgulas e palavras.
Gostei muito.

Mar Arável disse...

Palavras na areia

ao sabor do ritmo das marés


Poema muito belo

Bj

Virgínia do Carmo disse...

De facto, no nada que somos, somos tanto! E no caso da João, "tanto" é imenso...

Beijinho terno

Plínio ( Bg ) disse...

oi, gostei mto do seu blog,
Eu faço layouts, se você quizer ter seu blog mais personalizado, mais a sua cara... me procure
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Teresa disse...

Quando sentimos que não somos nada, devemos lembrar-nos que somos o tudo (ou parte) de alguém...e tu és o exemplo disso, és mais do que parte de mim :)


*beijinhos da Mana

Nova Civilização disse...

Amiga Querida,

Sabes muitas vezes é assim que me sinto. "Um tudo" e ao mesmo tempo "um nada". Um vazio profundo por sentir que em algum momento irei despir me da alma. Mas não um vazio pela tristeza e sim um vazio carregado de saudade... E é assim que vou tentando ser levada pelo tempo e dele ser uma eterna aprendiz para que eu possa semear e cultivar.

Adorei o seu poema me fez pensar em liberdade,

beijinhos no coração

Gisele

mundo azul disse...

________________________________


Nada somos, além da projeção de quem nos vê...

Lindo e reflexivo o seu poema, Maria!


Beijos no coração...


_______________________________

Cris Tarcia disse...

Maria João, passei para deixar um beijo e uma linda noite

Vieira Calado disse...

Está muito bem escrito

e é bem bonito

este seu poema de hoje!

Beijoca

Rosa Carioca disse...

É incrível como gosto de ler o que escreve...

Nilson Barcelli disse...

Lembrei-me das tuas palavras espalhadas na areia e vim relê-las.
E vejo, porque as sinto com a mesma intensidade, que o mar, o vento e a chuva não as apagaram...
Querida amiga, bom resto de semana.
Beijos.

Meg disse...

Maria João,

...Deslindo o enigma do tempo de ser tanto
No nada que sou
...

numa vida plena de ousadias...

Belíssimo, Maria João!

Um beijo

João Videira Santos disse...

Diria que é um poema...lucido onde as palavras transpiram identidade,

A.S. disse...

Maria João...

As palavras deixam emoção ao ritmo das marés...
Lindo o teu poema!!!


BeijOOO
AL

Mariazita disse...

Amiga
Passei para te deixar um abraço de saudades.
O teu comentário no Lírios é duma lucidez incrível!
Às vezes apegamo-nos de tal modo à beleza dos versos que pomos um pouco de parte o seu verdadeiro conteúdo.
Obrigada, querida.

Beijinhos