1 de dezembro de 2009

Ser família...


Às vezes passávamos as férias na aldeia onde o meu pai nasceu e, eu gostava de ver as galinhas com os pintos às costas. Pois às costas!
Os pintos saltam para cima das "costas" das galinhas mães e chak, chak, chak aí vão eles a passear.
Nunca vi os galos, que são os maridos das galinhas e pais dos pintainhos, deixarem os filhos viajar nas suas costas! Coitadas, só as galinhas é que têm de dar toda a atenção aos bébés! São bem atrasados, os galos! Eu lembro-me de o meu pai vir buscar-me cá abaixo ao chão, agarrar-me os punhos e ... chak! sentar-me nos seus ombros! Mas, o que eu estava a criticar era o feitio conservador dos galos. E não mudam... O meu pai mudou... Era quase igual à minha mãe, só que foram sempre diferentes. Ela era a minha mãe e ele era o meu pai. Trataram de mim os dois e eu gostei.




Margarida Carpinteiro in " Um animal desconhecido" 1993 com ilustração de Juan Soutullo.


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9 comentários:

Oliver Pickwick disse...

Já vi pintos saltarem sobre as costas da galinha. Mas, passear equilibrando-se nos costados da mãe, nunca vi. Acho que estes pintos do seu tempo de criança tem um talento especial para o equilibrismo.
Uma crônica bucólica de tempos de harmonia.
Um beijo!

Carlos Albuquerque disse...

Esta metáfora da Margarida Carpinteiro, se assim se lhe pode chamar, está bem encontrada.
Sabemos onde ela quis chegar... Fê-lo com elegância!
Como elegante foi a Maria João em ter colocado aqui este pedaço do Animal Desconhecido.
A ilustração é um mimo!
Beijinho

Sofá Amarelo disse...

Que dádiva linda, Maria João - lembraste-me tanta coisa... também tínhamos galinhas e cada uma tinha um nome, heheheh. O primeiro verso que fiz na minha vida foi dedicado a uma galinha, teria uns 7 anos e um dia postei, não me lembro se foi neste blog ou nalgum anterior. Os pintos saltavam para as costas das galinhas, sim, e eu mais a minha irmã e os miúdos da vizinhança ficávamos horas a tomar conta dos pintos pequenos para que os gatos não os atacassem... e tínhamos codornizes: um dia um gato abocanhou uma das codornizes que uma vizinha andava a passear com um cordel... eu corri atrás do gato, fiz a minha boa acção do dia mas a coitada da codorniz não aguentou...

Ah, só outra coisa, também acho os galos demasiado machistas, mas uma coisa tem que se dizer, heheheh: eles esgravatam a terra e chamam pelas galinhas para elas depenicarem a parte melhor... de resto não lhes vejo outros méritos a não ser o de nos acordarem às 6 da manhã... agora já nem se ouve o galo...

Muitos beijinhos. Bom resto de semana!!!

Nova Civilização disse...

Amiga,

família é tudo de bom! Fizeste lembrar da minha infância e principalmente do meu pai, sempre tão jovial. E nesse tempo de advento é que a saudade mais aperta!

beijinhos,

Gisele.

Angela Ladeiro disse...

Maria João...lembrei-me de toda a minha infância em Arcos de Valdevez. Das galinhas e de tudo. Saudade dos meus pais, dos Natais à volta da lareira. Da aletira e rabanadas. Chorei...

TaPê disse...

adorei o texto!! que todos os pais do mundo deixassem de ser galos, e um dos meus desejos!
cheguei a uns dias em frança e vejo-me na eminencia de entrar no mercado de trabalho quase que como se fosse um favor que eu lhes estou a fazer, é curiosa a diferença dai de portugal.
assim que tiver um posto aqui em frança lhe direi. claro que trouxe muitas recordaçoes, tanto as boas como as menos boas, porque afinal todas elas juntas traduzem a pouca experiencia que tenho, e sim muitas consigo. um grande abraço do sempre aluno joao paulo

A.S. disse...

Venho deixar-te um terno e doce beijo... de SAUDADES!!!

Mariazita disse...

Querida amiguinha
Este texto da Margarida Carpinteiro é uma delícia, e está bem enquadrado nesta época natalícia, dita "da família".
Também eu me lembro de ver as galinhas a esgravatar o chão, e quando nasciam os pintainhos, como os aconchegavam debaixo das asas!
Até nos animais mais simples se revela o instinto maternal.
E também me lembro de ver os pequeninos "às cavalitas" nas costas das mães. Ás vezes desequilibravam-se, e era vê-los a bater as asitas, aflitos, até recuperarem o equilíbrio. A Mãe Natureza oferece-nos espectáculos fabulosos!

Fizeste uma excelente escolha.

Até sempre.

Beijos aos molhos
Mariazita

Nilson Barcelli disse...

Que gostei imenso do texto, apesar da sua aparente simplicidade.
Quando era pequeno também via os pintaínhos nas costas da mãe. Mas agora os filhotes nem sabem quem é a mãe... talvez pensem que á a fonte de calor da chocadeira...
Querida amiga, bom resto de semana.
Beijos.