12 de janeiro de 2013

Manhãs de neblina



M.G.D

As manhãs, às vezes, estendem sobre a solidão dos lugares uma certa neblina. Tudo parece estranhamente calmo e resignado à ausência de luz e à impenetrabilidade do sol. Tudo parece aguardar, apenas, que aquele véu levante do chão o silêncio que caiu durante a noite. 
Indiferentes a todas as esperas, os pássaros esvoaçam das árvores, cansados de dormir, e rompem as tonalidades mescladas de uma realidade cinzenta. O dia já nasceu. É tempo de dar cor à voz guardada no interior das asas e cantar a anunciada revelação das paisagens.



9 comentários:

Vera de Vilhena disse...

Querida João, este teu texto, com uma música de fundo perfeita, deixou-me marejados os olhos. Quero acreditar que posso ser um destes teus pássaros cansados de dormir e deixar o meu dia nascer.
Um abraço feito de asas para ti, doce amiga.

Maria João Brito de Sousa disse...

É tempo, Maria João, "de cantar a anunciada revelação das paisagens"...
Também estive a ler o "Beijo meu", tão genuíno, tão belo... mas escrevo sem saber se estas minhas palavras chegarão até ti... esta minha louca ligação desconhece a imensidão desse teu beijo e a urgência de todas as paisagens... tento. Apenas tento dizer-te que gostei. Tanto!

Filoxera disse...

Estás mais inspiraa para escrever que eu, pelo que o meucomentário se resume a dizer que, como sempre, gostei de ler o que escreves.
Beijos.

A.S. disse...

M. João,

Talvez existam anjos
com olhos de musgo
nas margens dos ribeiros
por onde corre a passagem do tempo...


Um beijo,
AL

Lídia Borges disse...


Os pássaros!... Entram-nos assim pelos poemas dentro para rasgar silêncios, para libertar e aclarar a tela dos dias.

Lindo, pois!

Um beijo

JP disse...

Tal como os pássaros também nos cansamos da noite. Tal como os pássaros, também queríamos esvoaçar debaixo do calor do sol.....

Beijinho

Sinval Santos da Silveira disse...

Bom dia1 Parabens, amei seu trabalho.
Abraços
Sinval

Rogério Pereira disse...

Que a voz ganhe asas
Que um coro de vozes seja o bando libertador...

Apenas eu... disse...

E quantas e quantas vezes me sinto assim: Como uma manhã neblinada de solidão, uma solidão perdida em meio a tantos sonhos que de alguma forma dão razão a minha vida.
Que lindo texto! Beijos :)