10 de novembro de 2011

Do fundo mais profundo do chão




Vem do fundo mais profundo do chão
a raiz da urze
que resiste ao corte da sega.
Mesmo despida de flores,
um dia será
o calor de alguém
que recusou morrer no inverno
sem a promessa das papoilas.

É tudo tão simples
dentro de um caule manso.

Por isso me mantenho na direcção dos afectos
pois se até o vento se rende
à persistência das asas.




22 comentários:

Jaime Latino Ferreira disse...

MARIA JOÃO


Minha Querida,


Do fundo vem
quem com razão
o afecto acolhe
sem dizer não


Jaime Latino Ferreira
Estoril, 10 de Novembro de 2011

Lídia Borges disse...

"É tudo tão simples dentro de um caule manso".

Não há mistério nenhum na resistência da urze à sega e aos vendavais se são os afectos persistente resposta às investidas do tempo.

Um beijo

L.B.

Maria disse...

Muito bela a imagem que trans ites nos dois últimos versos!
Obrigada.

retrato... disse...

e é mesmo "tudo tão simples" e somos nós, "o caule manso", que temos de o provar, sentir, fazendo nascer uma flor, um afecto.

a poesia é isto... um jardim regado com palavras.

bj...nho

Andy disse...

é tudo tão simples e belo quando te leio... adoro simplesmente!

Beijinho, amiga!

Mariazita disse...

Maria João, querida amiga
Gosto muito de urze. Será por ter raiz assim tão forte???
É reconfortante pensar que "um dia será o calor de alguém" - porque é no lar dos mais humildes que ela exerce mais calor.
Muito lindo este teu poema.

Continuação de boa semana. Beijinhos

Rogério Pereira disse...

...e não será apenas o vento
que se afastará,
se o poema apontar
na direcção certa
dos afectos

manuela baptista disse...

vem do alto mais alto dos troncos

é ouriço picante repleto de frutos

uma noite
a urze foi fogo e a castanha assou

é tudo tão simples
quando entedemos a direcção dos afectos

um beijo

manuela

manuela baptista disse...

...já é mais complicado quando comemos os "énes"

entendemos, digo!

Virgínia do Carmo disse...

É esta força que dá asas a quem te lê. Porque é impossível não ceder ao apelo corajoso e sábio da tua escrita.
Quanta sensibilidade te cabe na alma, querida João!

Beijinho imenso...

BRANCAMAR disse...

É tudo tão simples Maria João...
por isso te mantens na direcção dos afectos e os afectos que se dão tornam sempre o nosso caule manso...
Onde se semeiam afectos não há tempestades, tudo acontece ao sabor do tempo e d vida e não é por acaso...

Beijos

Mar Arável disse...

Sempre na direcção

dos afectos

mesmo que tenhamos de agitar o vento

Rosa Carioca disse...

É tudo tão simples ... e belo!

AC disse...

Um toque de leve delicadeza em profundo sentir...
As suas águas são muito envolventes, Maria João!

Beijo :)

O Puma disse...

É preciso

orientar o vento

Rosário disse...

com a delicadeza das palavras simples e fortes como a urze, vamos voando e acreditando que o vento não nos altera o rumo dos afectos... e eu fico-te muito grata pela mão que sinto estendida...

beijinho enorme, M. João!

Ana Martins disse...

Maria João, boa tarde!
E é na direcção dos afectos, que somos mais felizes!

Lindo o teu poema!

Beijinho e muito obrigada pelo apoio e carinho.

Ana Martins

Mel de Carvalho disse...

sabes, amiga, aos galhos descarnados das árvores, ainda assim, enfeitam a paisagem, acrescentando-a. e, das raízes se amparam...

bela a tua escrita, belíssima aos meus olhos.

gratidão tamanha
beijo
Mel

antonio ganhão disse...

O vento enamora-se das asas, é a sua carícia que sustenta o voo.

Sotnas disse...

Olá Maria João, desejo que tudo permaneça bem contigo!

Assim é prezada poetisa, ainda que tantos sequer se dêem ao trabalho de fazer a parcela que lhe cabe, ou mesmo observar em volta e ver que tudo está acontecendo e dependendo da fração dele para seguir em harmonia os acontecimentos!
Belíssimo escrito teu, o que por cá é deveras natural, devido à sensibilidade que possui em construir versos repletos de sentimentos, e sempre encimado por lindas imagens.
E tão encantado quanto agradecido me vou e deixo a você e todos ao teu redor um intenso e feliz viver, e grato por compartilhar sempre tão belos sentimentos escritos, abraços e até mais!

Nilson Barcelli disse...

São os afectos que nos sustentam através das suas raizes.
A excelência das tuas palavras já é usual em ti, o que torna os teus poemas magníficos.
Beijos, querida amiga.

Mariazita disse...

Tenho estado doente desde sábado. (Por sorte já tinha agendado o post para domingo… doutro modo a postagem teria falhado).
Não tenho posto os pés – melhor dizendo, as mãos… - no PC.
Já estou um pouco melhor, mas não completamente bem. Não está a ser fácil, mas há-de ir ao lugar… Ainda não consigo estar aqui muito tempo seguido, tenho que intervalar :)
Aos poucos, vou visitando os blogs amigos, não com a presteza que eu desejaria, mas com a que é possível.

Obrigada pelo comentário, querida amiga.

Bom restinho de semana. Beijinhos