5 de abril de 2011

Guardado nos corais



Naufraga de ti,
Foi na areia junto ao mar
Que incrustei os lábios
E a tua sede.
E foram tantas as marés,
Que hoje apenas os corais
Sabem
Do quanto te amei em silêncio
Na depuração das águas.
Só eles conhecem o aúste
Que trago em seiva
À tua espera,
Como um cais,
Tecido nas redes do tempo
 E na visão antecipada
Do regresso dos barcos
Ávidos de beber.


Foto : José Carlos Dias Gomes - Olhares.com

29 comentários:

AC disse...

Maria João,
Que imagem mais bela, o amor guardado nos corais...!
A sua maioridade poética é evidente.

Beijo :)

Mel de Carvalho disse...

Minha amiga,
é na amarração dos corais que se fendem os lábios e a poesia se solta
e ainda sim,
reside presa no aúste mais espesso de um navio que parte todos os dias de um cais onde ficamos em espera (e)terna...

Que te dizer mais? Quando se atinge o teu nível de bem escrever, o difícil está em manter o patamar. Todavia amiga, no teu caso o difícil é não continuar a subir. Ficarei por perto, deliciada a ver-te acontecer.

Se chorar, comovida ... cortei-me num coral :) ehhhh.

Beijo
Mel

Mar Arável disse...

Nos corais que exigem águas depuradas
se guardam silêncios
partilham segredos
e desejos
Talvez um dia possam vir à superfície à pergunta do barco
que a procura

Bjs

Tere Tavares disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Tere Tavares disse...

As marés sabem dos aústes, dos naufrágios que sobrevivem, para beber.
Embebida de poesia, Maria.

Carlos Albuquerque disse...

Só dum espírito onde habitam as palavras, de luz perfeita e exacta, desabrochando sentimentos, pode libertar-se poesia assim!
Ao ler textos como este dou conta de quanta beleza há na realidade que somos!
Nada mais acrescento. Como já um dia lhe disse, são pequenas as minhas palavras para as pôr ao lado das suas.
Um grande abraço, Amiga Maria João.

Dulce AC disse...

"E foram tantas as marés
Que hoje apenas os corais
Sabem..."

O quanto existi.
O quanto tempo permaneci.

Querida João encontramo-nos nas tuas palavras, porque nos trazem a vida, quantas vezes silêncio, noutras grito...Palavras de canto.

Um beijinho grande de ternura, que existe em mim... para ti.

dulce

manuela baptista disse...

e são tantos os barcos e os vendavais

que o silêncio às vezes não sabe

distinguir a sede
do cais



mas distinguir um bom poema eu penso que sei
e guardo-o nos corais!


um beijo, Maria João

manuela

Mariazita disse...

Querida amiga
Li este teu poema duas vezes, não porque seja de difícil compreensão :), mas porque a sua beleza é tanta que não se abrange duma vez só.
Teces imagens dum tal encanto que só podem provir duma alma extremamente poética - a tua.

Apenas os corais sabem quanto te admiro... mas não em silêncio...

Uma semana feliz. Beijinhos

Cris Tarcia disse...

Maria João, que lindo poema, como sempre.
Beijos

Sonhadora disse...

Minha querida

São tantos os silêncios no cais da lembrança...nas ondas do nosso corpo...tanta sede no nosso olhar.
Para dizer que adorei a beleza das palavras...melodia pura.

Beijinho com carinho
Sonhadora

Lídia Borges disse...

De ficar em silêncio, no cais, à espera.
A tua escrita sempre nova e surpreendente!...

Um beijo

Nova Civilização disse...

Amiga Maria João,

lindo o poema que nos faz refletir,

beijos

Gisele

Ana Martins disse...

Maria João,
que poema de amor mais lindo... Fico maravilhada a leveza das suas palavras.

Beijinho,
Ana Martins

BRANCAMAR disse...

Maria João,

Hoje cheguei tarde, mas não podia deixar de vir aos teus espaços e ainda bem que vim. É deliciosamente belo e terno este poema, um grande momento de inspiração no dom de bem escrever.

Tudo que pudesse acrescentar quebraria o encanto de tanto que aqui já foi dito.

Beijinho para ti, grande, de muita amizade.

Branca

Rosário disse...

Que bom ter encontrado esta praia de beleza. apetece ficar a apanhar banhos de poesia por entre corais e barcos sedentos...
uma delícia mesmo:)

beijo grande. grata

Rosarinho

Andy disse...

Maria João,
belíssimo, como um mar imenso que poderia ser tão doce como as tuas palavras.

Beijinho amiga!

rosa-branca disse...

Olá João, lindo esse amor que naufraga na avidez do sentir. Adorei. Beijos com carinho

Filoxera disse...

Há aqui um cenário de barcos e ondas, de redes e esperas que não me é indiferente. Pelo contrário.
E há o silêncio e o segredo partilhado, na segurança dos corais que não o profanarão.
Gostei muito. Da imagem também.
Beijos.

Linda Simões disse...

Belíssimo, Maria João.

Belíssimo!


Beijinhos

Sotnas disse...

Olá Maria João, que tudo esteja e permaneça bem contigo!
Por entre os guardiões corais de nossa memória entre uma lembrança e outra, segredos que foram trocados lá permanecerão, pois não foram ditos, pois somente os olhos testemunharam!
Belíssimo poema, tanto que me fez escrever assim este comentário. Parabéns Maria, por tão inspirada alma poetisa que é a sua! Desejo a você e todos ao redor infinita felicidade, agradecido pelo carinho de suas visitas e comentários, abraços e até mais!

Sotnas disse...

Olá outra vez, volto cá pra dizer que tomei a liberdade de indicar você para um meme, como disse o PROFEX que me indicou também. Por isso peço, havendo uma pausa no tempo passa no sotblog para mais detalhes, agradecido desde já, grande abraço!

A.S. disse...

Maria João,

Por breves momentos senti-me transportado para dentro do poema... e senti sede!


Abraço!
AL

João Correia disse...

O amadurecimento caracteriza a tua poesia, num infindável desvendar de surpresas. Muito belo.
Beijinhos.

António Gallobar disse...

Tão bom este momento que lendo as suas palavras me deixei levar, na maré...

Os corais sabem do que falo, Parabens amiga Maria João sempre com poesia que nos deixa fascinados. É sempre com muito gosto, que por aqui passo.

Beijinho e bom fim de semana.

Virgínia do Carmo disse...

A tua poesia traz a sede de todas as essências, mas é praia que sacia a alma. Sede saciando outras sedes.
Muito grata, e, como diria a doce Mel, orgulhosa ... de poder chamar-te "amiga".

Bem hajas

Terno abraço

. intemporal . disse...

.

.

. res.guardo.me . na força anímica dos corais . em toda a sua cor . em toda a sua arte .

.

. e ,,, deixo.te um beijo . e o desejo de um bom fim.de.semana .

.

. teu amigo .

.

.

Nilson Barcelli disse...

A espera do cais é sempre compensada. É uma questão de tempo...
Excelente poema, ao nível do que melhor já li teu.
Querida amiga Maria João, tem uma boa semana.
Beijos.

Sofá Amarelo disse...

Tecido nas redes do tempo estão os lábios incrustados de sede onde as marés de corais levam a seiva aos cais onde os barcos se sentem náufragos de ti...