31 de julho de 2013

Raízes claras



Descias ao fundo do rio
de olhos mirrados,
temendo o discurso dos peixes,
e a boca entreaberta
buscando um outro fôlego
na respiração lenta dos dias.

Do que de lá trazias
nunca me falaste,
mas bastava-me ver-te regressar
da pureza das águas,
                                [sereníssima]
retomando o caudal da tua vida,
para saber o sentido do canto
que entoava das tuas mãos de silêncio.

Foi assim que aprendi a depurar a mágoa
e hoje adoço de humanidade tudo o que digo.
                           
                        [a dor, tal como tu, deixo às pedras confiada]



6 comentários:

Mar Arável disse...

As pedras

guardam segredos

só falam por gestos

Bj

Rogério Pereira disse...

Por vezes meia palavra basta
Frequentemente o silêncio é tudo

Apenas um reparo, as pedras falam

Ritinha disse...

Ah! no silêncio são feitas grandes descobertas e em tudo há vida, mesmo que achem o contrário.
Em tudo há energia!
Adorei!
bjs
Ritinha

Brígida Luz disse...

Raízes doces e puras,
onde aprendemos o significado de todos os silêncios.
Nelas depuramos o tempo,
quando o movimento das pedras magoa.

Obrigada, querida Maria João.

Um beijinho amigo :)

Rosa Carioca disse...

É sempre uma "delícia" visitar seu talento.

Lídia Borges disse...


"E hoje adoço de humanidade tudo o que digo.

Um verso de água. Água da nascente!...

Felicito-te. A tua escrita cresce a cada nova sílaba.

Beijo meu