17 de setembro de 2012

Rios de gente




Desconstroem-se
Os movimentos assilábicos da língua
Dentro da boca
E desatam-se os nós das palavras
Que dão corpo à memória.
Somos um passado que nos pesa
E ora nos prende, ora nos liberta
Penas a formarem asas
Numa dor que já não tem suporte nos dedos
E se escreve nas ruas
Para dizer azul, vermelho ou verde
Como um pincel sobre a tela branca dos olhos
Num rosto maior de presente
A traçar novas margens.

Como são belos os rios
Feitos de gente
Tão humano e quente é o seu sangue
Essa voz rasgada das suas águas.



16 comentários:

Lídia Borges disse...


"Como são belos os rios cheios de gente... "
Sobretudo se a sua humanidade se adensar em margens de liberdade e de justiça.

Há por aqui um novo colorido, sedas de um pincel tingidas de outros brilhos, a espalhar emoções.

Eu gosto!

Lídia

Rogério Pereira disse...

"Como são belos os rios
Feitos de gente"

Versos?
Não, ecos
De um poema

Nilson Barcelli disse...

Rios de aplausos para o teu poema.
Excelente, é o mínimo que posso dizer.
Um beijo, querida amiga.

António Jesus Batalha disse...

Olá , passei pela net encontrei o seu blog e o achei muito bom, li algumas coisas folhe-ei algumas postagens, gostei do que li e desde já quero dar-lhe os parabéns, e espero que continue se esforçando para sempre fazer o seu melhor, quando encontro bons blogs sempre fico mais um pouco meu nome é: António Batalha. Como sou um homem de Deus deixo-lhe a minha bênção. E que haja muita felicidade e saude em sua vida e em toda a sua casa.
PS. Se desejar seguir o meu humilde blog, Peregrino E Servo, fique á vontade, eu vou retribuir.

BRANCAMAR disse...

Maria João,

Como eu gostei deste rio de gente! E tal como a Lídia tenho sentido a tua poesia plena de emoção.

Beijos
Branca

Sonhadora (RosaMaria) disse...

Minha querida

Que esses rios encontrem a foz e formem um mar imenso.

Um beijinho com carinho
Sonhadora

Brígida Luz disse...

" [...] aqui, estou vivo e sou alguém muito longe."

José Luís Peixoto

E que o sonho das gentes se faça rio de águas transparentes.

Beijinho, querida Maria João. Bom fim de semana :)

Mar Arável disse...

Que nunca nos doa a voz

Bjs

Cris Tarcia disse...

Como é lindo o teu olhar!

Beijos

Maria João Mendes disse...

rios de gente,que esperam ter onde desaguar...

linda tua forma, de escrever!

obrigada, pelas tuas palavras no meu blogue,


p.s : adoro a musica do teu blogue,uma das minha preferidas.

Beijinhos!

Bergilde disse...

É no coletivo que encontramos a razão de sermos verdadeiramente humanos!
Grande abraço,bom dia!

A.S. disse...

Na rua escrevem-se poemas que nos falam de justiça, paz, liberdade e amor. Tantos poetas, milhões de poetas, que gritam perante quem permanece surdo!


Beijo,
AL

Andy disse...

volto de novo aqui, querida Maria João.
não me surgem as palavras certas para o hino de poesia que aqui nos deixas, um espelho belíssimo do que tem sido estes rios de gente "tão humano e quente é o seu sangue/ essa voz rasgada das suas águas".

beijinho, amiga!

AC disse...

Hoje é de novo dia de os rios correrem, plenos de gente. E como eles ganham vida...!

Beijo :)

Dete disse...

Vim passeando, aqui cheguei e aqui fiquei, admirando suas poesias e seus textos. Sentimentos delicados, como folhas soltas ao vento…

Sofá Amarelo disse...

A voz dos rios ecoa nos rostos das gentes que traçam margens e descontroem movimentos que nos prendem ou libertam...