23 de março de 2011

Há sempre uma manhã





Na morte das noites densas
há sempre uma manhã
que crê no regresso das andorinhas
e na dor sublimada dos poetas.
É o beijo do vento
no eclodir das folhas que hão-de vestir
de novo
os ramos nus
como as palavras vestem os versos,
musas, a bordar desígnios
nas asas feridas das borboletas.




22 comentários:

Professora Lu disse...

Parece que escreveste para mim. Obrigada....

Jaime Latino Ferreira disse...

MARIA JOÃO


Querida Amiga,


Na densidade das palavras
a poética que lavras

Sim
à noite há sempre uma manhã que se lhe sucede
e que da dor dos poetas se sublima
e canta

Há sempre um amanhã


Um beijinho


Jaime Latino Ferreira
Estoril, 23 de Março de 2011

Mar Arável disse...

Quando a ficção se torna realidade

apetece amar melhor as palavras

Bj

Filoxera disse...

Coincidentemente, também li onmtem um poema sob a forma de bordado...
Beijos.

Lídia Borges disse...

"É o beijo do vento
No eclodir das folhas que hão-de vestir
De novo
Os ramos nus"

Assim, como um ciclo que se repete, um verde que acontece nas margens do novo dia.

Gosto tanto do que escreves, Maria João!

O meu mais grato obrigada.

Nova Civilização disse...

Amiga Maria João,

Lindo! a cada instante um recomeço...

beijinhos

Gisele

manuela baptista disse...

tecedeira de palavras

desenhadora de sedas nas aladas borboletas!

um beijo de vento e marés

manuela

Sofá Amarelo disse...

Há sempre uma manhã que se repete quando não se espera, quando quase não se crê que se repita... há sempre um beijo no vento que bordam desígnios nas dores densas dos poetas....

Ana Martins disse...

Maria João,
e que bom que há sempre um amanhã, por isso mesmo é que a esperança é a última a morrer!

Beijinho,
Ana Martins

Andy disse...

respiro do teu poema, bordado na minha pele em flor...

belíssimo, amiga!

Mel de Carvalho disse...

Por instantes, minha doce amiga, no vislumbre da tua manhã amanhecida, vi duas crianças, sob a copa de um frondoso carvalho, de bracitos erguidos, alternadamente, a enrolarem a lã e a seda de um casulo labiríntico na senda do fio d'Ariana. Depois veio a borboleta... (Houve quem a chamasse de "poesia-vida").
As crianças, frágeis borboletas, tomaram o bastidor do tempo escasso, o linho alvo, bordaram determinadas a noite fria - o ouro da filigrana, do verde do sargaço e o vermelho das gentes da lezíria - insígnias de uma nova Era... E era primavera de glicínias e buganvílias. E, dos caules nus, a vida retomava o fulgor das folhas primitivas.

Beijo, Joãzita. Sabes da minha enorme admiração (e carinho) por ti. muçher-poeta.

Mel

PS: Não te safas, Joãozita, do tal conto a quatro mãos :). ehhh

Sonhadora disse...

Minha querida

Tanta emoção que escorre do teu poema...chorei e não tenho palavras.

Beijinho com carinho
Sonhadora

Sotnas disse...

Olá Maria João, desejo que tudo esteja bem contigo, sempre!
Que belíssimo poema, com sensibilidade, expressa sentimentos tão belos.
É uma pena que uma bela noite tenha que partir na chegada de mais um dia, onde tudo se renova, com renovadas esperanças, e somente testemunham um à partida do outro, ainda assim cumprem seus ciclos sempre com pontualidade, e toda aceitação!
Parabéns por mais este belo poema, desejo a você e todos ao redor felicidades sempre, obrigado pela amizade, abraços e até mais!

A.S. disse...

Maria João,

Regressarão as andorinhas, os ramos vão renovar as vestes, mas o poeta continuará tentando sarar as feridas de um inverno onde as borboletas se feriram na inclemência das palavras...


Abraço,
AL

BRANCAMAR disse...

Maria João,

Um lindo poema de esperança e vida, reflexo da tua sensibilidade.

Um beijinho grande.
Branca

António Gallobar disse...

Olá Maria João

Sempre inspiradissima, como a primavera que chega e nos toca.

Beijinho e obrigada pelas suas palavras, no final o seu poema diz tudo.

Dulce AC disse...

Olhem...
É a Primavera que chega..!!

Lindíssimo João...
Fez-me bem, muito bem ler-te.
Obrigada amiga.

Um beijinho num abraço amigo, forte.
Dulce

Sandra Portugal disse...

Muito lindo! parabéns! Sandra
http://projetandopessoas.blogspot.com//

Carmo disse...

OláMaria João,
Um belo poema de esperança
Um beijo
Boa semana

Tere Tavares disse...

Maria,
Ás mãos enfeitam o que é velho, novo, refazem, descobrem, vestem, despem, são contrárias à inércia: viva filigrana de palavras aqui posta.

Beijo

AC disse...

Maria João,
Já há uns tempos que por aqui não passava, mas agora estou-me a consolar. Este poema é uma pequena maravilha.

Beijo :)

Virgínia do Carmo disse...

Por vezes as manhãs tardam, e cansamo-nos de esperar por elas. E depois quando chegam, só nos sobram lágrimas de alívio.
... Não tenho mais palavras, apenas a minha gratidão.
Terno e saudoso beijinho, amiga.