4 de maio de 2010

Não sei de onde vens



Não sei de onde vens
Nem de que és feita
Sei que contorces a minha terra sem fruto
E cobres-me o peito de melancolia
Agonia perfeita de um poço lodoso
Deserto impiedoso de espinhos e cardos
Fardos sem fim
Quando vais, não sei porque voltas
Nem porque te enleias em mim
E na sombria ilusão dos teus laços
Partes-me o sol aos pedaços
Silencias-me o siso e o riso
E sem malmequeres ou papoilas
Semeias-te no meu jardim



10 comentários:

Carlos Albuquerque disse...

O que dizer destas palavras tão maravilhosamente combinadas!?
Disse um poeta, que um poema não tem que ser interpretado, pois ele próprio já é uma interpretação.
...mas se aqui de saudade se trata, ela que venha, vá e volte, sempre que quiser. Esse movimento permite, muitas vezes, que se realizem sonhos.
E não são os sonhos que nos permitem respirar o ar da vida.
Mais um texto que é uma pérola, Maria João.
Um abraço

Cris Tarcia disse...

Maria João, lindo poema como sempre.

Beijos

AFRICA EM POESIA disse...

M.Joºao

Saudades e gostei da poesia.
Um beijinho e deixo para ti...

RIACHO


A água corre entre as pedras
Pedras largas e lisas
Muitas e compactas
Mas a água leve e lisa
Escorre por entre as suas fendas
Fendas bem estreitas
Que os meus olhos enxergam


E a água cristalina e fria
Vai correndo e deslizando
E eu vejo o riacho
Que corre...
Que vive...


Que sente...
As minhas mãos a afagarem...
A água...

E sente...
Os meus lábios
A beberem...
E a beijam!...

A.S. disse...

Maria João...

Belo o teu poema!
Algo que revela em ti toda a sensibilidade de mulher...

Beijos
AL

Ucha disse...

lindo teu blog, amei a poesia!

Cris Tarcia disse...

Maria João, passei para ler poesia, e respirar fundo no teu cantinho,

Beijos

Sofá Amarelo disse...

Há sombrias ilusões que se enleiam como espinhos e cardos no silêncio do deserto e que - mesmo no jardim austero - criam raízes melancólicas entretecidas em pedaços de Sol... resta-nos juntar esses pedaços e moldar o Sol com as nossos laços...

Mariazita disse...

Olá
Como no próximo domingo, dia 9 de Maio, se celebra o Dia das Mães no Brasil, resolvi fazer uma pequena homenagem às minha amigas brasileiras, publicando, no SÁBADO, um post no meu blog OLHAI OS LÍRIOS DO MACUÁ

Lá encontrará um pequenino presente que fiz para TODAS as minhas amigas, sem excepção.
Espero me dê o prazer de ir buscá-lo e colocar na sua sidebar.
Até lá, obrigada.
Beijinhos
Mariazita

PS - Obrigada por seus votos de melhoras. Felizmente já me sinto bem melhor.
Voltarei para comentar logo que possível.

Nilson Barcelli disse...

A soluição passa por novas sementes? De modo que ocupem todo o jatdim e não deixem as outras invadi-lo?
Não sei... o que sei é que o teu poema é excelente. Parabéns por mais esta pedra preciosa.
Minha amiga João, um bom fim de semana.
Beijo.

Mariazita disse...

Amiga
Já recomecei as minhas visitas. Vamos ver quantas "casas" os meus olhos aguentam, porque é a parte que está a demorar mais a passar - as lágrimas.

Adorei este poema, apesar de toda a melancolia que encerra.
Saudade? Tristeza? Simples melancolia? Seja o que for...permitiu-te construir um poema lindo!

Vou ver o último post.

Beijinhos