27 de maio de 2011

Reinvente-se o grito



Um dia…

Talvez um dia

Se preencham os vazios
Com palavras eruditas
E no pó levantado do chão
Se descubram os deuses
Que obstinadamente
Se mantêm de pé.

Talvez um dia

Os olhos não ceguem
Na descrença dos gestos
Os arados não gemam
De solidão
Nem os mastros se rendam
Ao abandono das marés.

Mas hoje

É urgente que as bocas se encham de espigas
E frutos maduros
E mesmo na ausência de vento
Se reinvente o grito
Como o desfraldar de uma asa
Emanado
Do pundonor de uma bandeira.


19 comentários:

antonio - o implume disse...

O grito que se solta livre não será reinventado, menos sorte têm os que se nos travam no fundo da garganta.

Jaime Latino Ferreira disse...

MARIA JOÃO


Minha Querida Amiga,


Um dia
talvez um dia
hoje
um guia
um grito se reinventa
e cria


Um beijinho


Jaime Latino Ferreira
Estoril, 27 de Maio de 2011

Linda Simões disse...

Maria João

Tu falas assim com uma propriedade que fica difícil até comentar!

Parabéns,parabéns!

É sempre bom vir aqui.

E obrigada pela visita e comentário.Também acho teus filhos lindos, Maria.

Quando chegar aí, quero comprar teu livro. Então entro em contato,ok ?

Um grande beijinho

Virgínia do Carmo disse...

São precisos gritos assim... Profundos, incisivos e cheios de alma!

Belo, o teu grito...

Beijinho terno e saudoso!

São disse...

Secundo este seu grito e saio encantada com o som de Paredes.

Bom fim de semana.

A.S. disse...

Maria João,

Precisamos reinventar o grito sim, para que ele seja capaz de acordar todas as intolerâncias que ainda dormem!...

Um abraço!
AL

Lídia Borges disse...

Tenho de sublinhar o tom implícito de esperança e força num grito que nos leva sonho adentro, confiantes...

Obrigada João, pelo carinho.

Deixo um beijo meu

manuela baptista disse...

hoje
é já este dia

porque talvez outro dia, poderá não ser dia nenhum

reinventemos, sim! o grito e o pão e o vento


um beijo


manuela

Rogério Pereira disse...

Poeta
Depois de ler
teus dizeres
no que vejo escrito
dou-te o meu grito
faz dele o que quiseres

Não chega?
Outros se juntarão, não desesperes

Smareis disse...

Quanta sensibilidade e emoção neste poema, o amor tem o dom de nos elevar. Li, gostei e voltarei mais vezes. Um Abraço!

Fabrício Santiago disse...

Olá, desculpe invadir seu espaço assim sem avisar. Meu nome é Fabrício e cheguei até vc através do Blog rosa solidão. Bom, tanta ousadia minha é para convidar vc pra seguir meu blog Narroterapia. Sabe como é, né? Quem escreve precisa de outro alguém do outro lado. Além disso, sinceramente gostei do seu comentário e do comentário de outras pessoas. Estou me aprimorando, e com os comentários sinceros posso me nortear melhor. Divulgar não é tb nenhuma heresia, haja vista que no meio literário isso faz diferença na distribuição de um livro. Muitos autores divulgam seu trabalho até na televisão. Escrever é possível, divulgar é preciso! (rs) Dei uma linda no seu texto, vou continuar passando por aqui...rs

Narroterapia:

Uma terapia pra quem gosta de escrever. Assim é a narroterapia. São narrativas de fatos e sentimentos. Palavras sem nome, tímidas, nunca saíram de dentro, sempre morreram na garganta. Palavras com almas de puta que pelo menos enrubescem como as prostitutas de Doistoéviski, certamente um alívio para o pensamento, o mais arisco dos animais.

Espero que vc aceite meu convite e siga meu blog, será um prazer ver seu rosto ali.

Abraços

http://narroterapia.blogspot.com/

. intemporal . disse...

.

.

. de certeza que as palavras tuas são capazes de diluir as sombras de todas as dúvidas .

.

. até porque,,, sabes de antemão da pessoa humana como sinónimo in.discutível sobre todas as "coisas" . na evidência de uma luz que não se retrai também "do outro lado do espelho" .

.

. um beijo meu .

.

.

Tere Tavares disse...

Ao romper do verso o som se faz, o canto se multiplica e temos logo uma orquestra. Boa de "ou-vir"

Mel de Carvalho disse...

Joãozinha,
Talvez seja o tempo de rasgar a terra e deixar que a semente brote, floresça e frutifique, à boca de quem a mereça. O voo seja largo a sulcar os oceanos e as várzeas de trigo, bandeiras de esperança.

Como não me honrar na tua amizade?
Cresces todos os dias e eu, ao ler-te, ouso crescer um pouco também.

Junto o meu ao teu grito, pois claro!

Beijito daqui.
Mel

BRANCAMAR disse...

Maria João,

Trago-te um grito de amizade num tempo reinventado, aquele que estendo aos amigos e que me traz sempre aqui.

Com um grande beijinho e a certeza que por mais curto que seja o tempo voltarei sempre aqui.

Com flores de amizade
Branca

Filoxera disse...

É urgente abrir os olhos, soltar as vozes, juntas as forças.
Um beijo.

Sonhadora disse...

Minha querida

É urgente gritar o que está amordaçado na alma e soltar as palavras que vivem nos dedos dos poetas...e os teus dedos estão cheios de poesia.
Adorei e deixo o meu beijinho com carinho.

Sonhadora

Nilson Barcelli disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Nilson Barcelli disse...

Estamos todos a precisar desse grito...
Mas tu disseste-o de uma forma superior.
Superas-te a cada poema (ou prosa) que escreves. E há muito que atingiste o patamar da excelência...
Beijos, querida amiga.