É tão breve o tempo dos presépios.
É tão estreita a frincha da janela, por onde deixamos entrar o céu, a cintilar em cada um dos quatro cantos de uma solidão espessa e indizível.
De peito quase aberto, acertamos a sintonia dos compassos da humanidade, e os olhos demoram-se mais no interior silencioso das coisas. Há agora, um desejo maior de sermos, a luz que aquece o coração de todos os flocos de neve e a pele que veste o corpo rasgado dos afectos.
Mas é tão efémero o tempo dos presépios, que me excedo já em nostalgia e procuro em mim, o trilho certo para a eternidade dos momentos.