É do tempo, o plácido momento
De sonhar num ano, um só dia
O dia em que o canto será manto
A sombra que se esvazia
Imaginar que chegas então
Amarfanhado de saudade
Porque um segundo teu nos meus braços
É minha sorte, vestida de eternidade
**
É do tempo, o plácido momento
De sonhar num ano, um só dia
O dia em que o canto será manto
A sombra que se esvazia
Imaginar que chegas então
Amarfanhado de saudade
Porque um segundo teu nos meus braços
É minha sorte, vestida de eternidade
**
Há uma névoa nua, no olhar dos tristes
A sombra da sorte que lhes foi roubada
Vêem a vida desfeita, no meio da rua
A angústia de afinal, não terem nada
Soltam ao vento rezas e lamentos
Em passos lentos
Despidos no vazio das pedras e da lama
Que os chama
Ajoelham-se em luto, na terra que geme
Que treme
Rogando ao céu a trégua anunciada
Do caos, nasce então a ordem que os anima
Rasgando a vontade, sobrevivente
Haste que navega, ribeira acima
Como um sopro banhado em lava quente
E nos rios de mar lavam a dor
A alma quebrada em mil pedaços
Cobrem a memória da névoa que passou
Acendendo na vela, a luz que se apagou
E erguem-se na força dos seus braços
"Existe poesia de verdade no mundo real:
A ciência é a poesia da realidade"
Richard Dawking
"A história dos humanos é a história das ideias
Que lançam luz em cantos escuros"
Jill Tarter
(Espreitem os meus Mimos&Selos, encontrarão lá, um pouco mais sobre mim.)
Nasci no tempo errado
Brotada da raiz certa
Nasci de um sonho desfeito
Contrafeito
De uma alma vazia, deserta
Nasci da flor, na dor
Amor de mágoa vestido
Força de um ventre arado
Que sem nunca me ter sonhado
Muito embora em tempo errado
Me fez viver e crescer
Grata por ter nascido
O dia começava cedo, bem cedo. Ainda o sol se espreguiçava da dormência da noite, já Adélia revolvia a vida por dentro e por fora num frenesim de força e vontade que contagiava tudo e todos.
Se no serenar da noite me deixares voar
Para lá da dor que entendes ser só minha
Deixa-me, meu amor, chorar sozinha
Acolhe-me em teus braços, ao regressar
Mas se num voo perdido nos encontrarmos
Como o sol encontra a lua, em plena alvorada
Entregarei meu corpo ao teu, sem dizer nada
No momento exacto em que cruzarmos
O compasso de uma valsa de aconchegos
Fts. da autoria do meu colega e amigo Felisberto Magalhães que gentilmente autorizou a publicação neste espaço.
Não sabe? Tem que pensar?
Calam-se os sinos replicados, calam
Porque bradar já não sabem de cansados
Mudos são os ecos já finados
E tristes são os olhos que não falam
Param os passos esgotados, param
Adormecem inertes na beira do arado
Sangram a seiva do trilho semeado
E gélidos ficam os gestos quando calam
Na profunda alienação dos sentidos
Fica no tacto a angústia da ausência
A recusa do estar só em permanência
A textura dos silêncios desmedidos
Entrega-se à lua a serena sonolência
Com os olhos tristes que não falam
Com os gestos que há muito se calaram
No eco mudo dos sinos em dolência
E se o sol nascer na sombra dos alentos
Escondido por entre raios deprimidos
Deixai ficar na noite os passos feridos
E na morte o abandono dos tormentos