27 de junho de 2011

Grande lição para gente pequena



Grande é a virtude


 De tão grande vontade


E tão pequena eu sou


Perante o teu exemplo


A propósito da prova de Paratriatlo que decorreu no passado dia 25, no âmbito do Campeonato Europeu de Triatlo em Pontevedra. A temperatura do ar era de 40ºC, nenhum dos paratriatletas desistiu e quem assistiu à prova, teve a honra de receber uma enorme lição de vida.
Eu senti-me privilegiada por isso.
Aqui fica o meu aplauso e a minha gratidão a todos eles!


15 de junho de 2011

Anos verdes




Verdes foram todos os anos

Que não colhi,

Porque não sabia

O quanto pode ser doce

O que de amargo

Guardamos,

Se deixarmos

O tempo nascer maduro

E pronto a ser luz

Para além do ninho das pupilas.



6 de junho de 2011

Silêncios



Preciso de te dizer

Todas as palavras

Que bordo para ti em silêncio

E me doem

Como gelo triturado nos dedos

Enquanto me ignoras




1 de junho de 2011

Caminho de água nascente




Eram passos lentos os que trazia.
Lançava-os no chão. Naquele que sabia e no outro que nunca pisara mas onde cresciam as papoilas que um dia haveria de colher. Um dia, um qualquer dia de um qualquer tempo , numa qualquer dimensão.
Eram passos seguros, firmes, mas propositadamente lentos. Neles, ouvia a história das pedras, respirava o aroma cicatrizante do pó da terra e, enquanto guardava nos bolsos o orvalho da noite suspenso nas ervas daninhas , subia-lhe aos lábios o sabor vertical do trigo a oferecer-se-lhe à fermentação da vida.
Do caminho, não lhe importava o rasto, apenas o peso de si própria moldado no barro, qual ânfora a saciar a fome de humanidade. Talvez por isso levasse consigo, pousadas nos ombros, todas as lágrimas que lhe confiavam e mais umas quantas rugas, suas e de outros, porque o saber do tempo era o único tesouro que conhecia.
Um dia, desejou que tudo de si fosse fértil como água nascente, mas nem por isso apressou ou refreou a passada. Se o sol lhe era força a aquecer a alma, respirava mais fundo para a guardar no coração e aí se abrigar das imperfeições do vento norte. Mas quando era chuva o que chegava do céu, erguia o rosto e recebia nele cada gota, como quem bebe um oásis, sabendo que os desertos existem e aí, nem as pedras desejam falar da sua própria história.
Saboreava cada milímetro da sua caminhada como se semeasse e colhesse estrelas e as amasse a todas de igual modo, como filhos diferentes mas de brilho igual.
De quando em vez, uma rodopiante aragem envolvia-lhe os sentidos e via-se então, de braços abertos, numa afinidade de asas com quem nasce a voar. Era assim que planava livre por dentro dos sonhos e descobria que essa era, de todas, a mais bela viagem.
Eram lentos os passos e grandes os sonhos.
Eram imensos os sabores, e isso já era tanto para se sentir feliz.

27 de maio de 2011

Reinvente-se o grito



Um dia…

Talvez um dia

Se preencham os vazios
Com palavras eruditas
E no pó levantado do chão
Se descubram os deuses
Que obstinadamente
Se mantêm de pé.

Talvez um dia

Os olhos não ceguem
Na descrença dos gestos
Os arados não gemam
De solidão
Nem os mastros se rendam
Ao abandono das marés.

Mas hoje

É urgente que as bocas se encham de espigas
E frutos maduros
E mesmo na ausência de vento
Se reinvente o grito
Como o desfraldar de uma asa
Emanado
Do pundonor de uma bandeira.


19 de maio de 2011

Para que não me esqueça de ti



Quando o tempo adormece
Dentro da tua cabeça
E o que choras
É apenas a saudade que te arrasta,

Deixa que os teus os passos sejam lastro
Da polpa de uma árvore mansa
Sabendo que a paz
Tem a cor do teu cabelo
E da vida,
Te sobram distraídos os minutos
Na lentidão das palavras
Que abandonas
Ao ritmo da tua memória confusa

Já não há veredas que te doam
Nem segredos por inventar
Já não há rio
Onde deixes cair
O pingo de vida que tens,
Suspenso na ponta dos teus dedos

Por isso o pousas no meu rosto
Para que não me esqueça de ti



15 de maio de 2011

Foi assim....



Há momentos em que nada do que eu possa dizer
diz o tanto que eu quero....












Obrigada!
 

3 de maio de 2011

Do outro lado do espelho


 Desprendo de mim as palavras e dou-as a ler,
para que elas possam ser, um novo detalhe nos vossos olhos.


"Do outro lado do espelho" é o meu 1º livro.
Um livro de poesia que tem a chancela da editora  Lua de Marfim, e que,  tendo nascido do incentivo das Vossas leituras e da generosidade das Vossas palavras, muito me honraria a Vossa presença no seu lançamento.
Esse evento, terá lugar no próximo dia 14 de Maio, no Auditório do Campo Grande -56 em Lisboa, pelas 16 horas.
Ladeada  pela escritora Mel de Carvalho e pela jornalista Otília Leitão, lá estarei à Vossa espera.






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29 de abril de 2011

Flor da Vida


Nas gotas redondas de uma água não antes tão cristalina, bebeu a essência de ser, simplesmente, uma asa a voar no sentido do infinito. No centro de si, uma força contraía para o fundo da alma a razão de todas as coisas que se abraçam à misteriosa energia do amor.

Abriu o sorriso e sentiu-se singular.

Voltas? – perguntou em silêncio.
Mas não era de regressos que falava o encontro das mãos, mas sim da posição exacta das pétalas , quando se descobre a sintonia do universo.
Abraçaram-se.
Agarraram-se os dois à pele que, possuindo a mesma geometria, desfazia todas as névoas feitas de arestas irregulares e que restituía aos olhos, a circunferência pura do brilho dos cristais.
Humildemente,entregaram ao vento o que pensavam e souberam-se um imenso mar, irradiando nas ondas o idioma que as palavras desconhecem.
Nada mais simples foi preciso dizer, enquanto o ventre crescia de novo e os pássaros anunciavam a descoberta do enigma, contido na flor da vida.



19 de abril de 2011

À espera que me respires















Na exaustão dos dedos
a desfiarem rosas,

repito-me,

no murmúrio das contas
perfumadas
pelo perdão das sílabas

enquanto os verbos fogem
para longe da boca,
prolongando nela o silêncio
de não te saber dizer
o que mais me dói
sem que me trema o coração.

Frágil andor
na procissão dos afectos.

E assim serei,
a mais serena brisa
à espera que me respires.



Na procissão dos afectos, desejo a todos, uma serena, doce e santa Páscoa.
Bem Hajam!