1 de novembro de 2008

Esta cidade que eu amo

"Que outra cidade, levantada sobre o mar

À beira-rio acabou por se elevar

Entre dois braços de água

Um de sal outro de nada

Água doce água salgada

Águas que abraçam Lisboa ..."

"Moro em Lisboa" - Madredeus

29 de outubro de 2008

Silenciosa intimidade


De todos os pensamentos, de todas as angustias
De todos os barcos, de todos os rios
Eu escolhi-te a ti,
Silenciosa intimidade, poder supremo,
Arvore que se ergue invisível a sol algum.
É contigo que falo...é a ti que recorro,
Quando perdida estou dentro de mim mesma.
Escolhi-te a ti !
Serás a mensageira do que sou,
A protectora do que dou .
Ouvirás e crescerás como uma rocha, um diamante .
Encerrarás em ti mesma tudo aquilo que virei a ser,
Darás depois,
Quando a aurora não mais brilhar,
Quando o pensamento se diluir no tempo
Darás então,
Como um fruto que caí maduro..
A memória do que conquistaste, do que conseguiste,
E a perpetuarás no coração daqueles
Que amarei para sempre!

28 de outubro de 2008

Desafios

Atrevamo-nos a viver e saberemos quem somos,

a nossa verdade flutua na experiência de nós próprios !

E grandes seremos.... porque não nos desperdiçámos !

16 de outubro de 2008

Espero por ti!


Teria sido tão fácil se tivesses fixado os meus olhos,
Teria sido tudo tão mais fácil ...
Porque não sentiste o teu peito a bater?
Porque não ouviste a voz dos passáros?
O barulho do mar?
Pedi-te tanto.
Cheguei até a suplicar...
Que olhasses o horizonte enquanto andavas,
Que chorasses em vez de rires de ti próprio,
Que te aconchegasses a mim, mesmo sem teres frio...
Ah, como teria sido tudo tão fácil!
E assim se perdeu um tempo,
Que sendo nosso nunca o terá sido,
Assim se perdeu tanto de nós ... tanto de ti...
Que tal como a areia nos dedos ,
Senti fugir para longe de mim!
E chorei... e gritei... com angústia e ás vezes mágoa!
Lutei, lutei...lutei !
E cansada, esgotei.
Sento-me á beira deste rio, de pranto e tristeza
Serenamente eu espero que tu venhas,
E desta vez, fixes os meus olhos e digas:
Deixa-me chorar contigo, Mãe!

14 de outubro de 2008

O mundo dos contrastes... ( IV)

Na pobreza...

Na riqueza...

VIVER, NÃO VIVER OU SOBREVIVER

Eis a eterna questão!


13 de outubro de 2008

No feminino... e no plural!


A todas as Mulheres...
Mulheres batidas, sofridas
Mulheres esquecidas!
Mulheres de sorriso escondido...
perdido,
Mulheres vendidas!
Mulheres que choram e imploram,
resgatar o direito,
de viver simplesmente,
olhando de frente,
um mundo imperfeito.
A todas as Mulheres corajosas,
belas,vistosas..
Mulheres de perfil!
Mulheres que vivem lutando,
no trabalho ou estudando,
num mundo servil...
Mulheres que de filhos nos braços,
distribuem pedaços
de portas fechadas.
Ou esperam o dia, com a alma vazia
chorando, coitadas.
A todas essas Mulheres,
essas e outras que timidamente...
vivem assim na penumbra,
do inferno escondido,
de um mundo indiferente;
Eu ofereço a minha voz de Mulher,
para que gritem mais alto
e se façam ouvir,
E que na noite o sol nasça
Mulher cheia de graça
Com todas as portas a abrir!

6 de outubro de 2008

Não me digam que não podem!

Não são os grandes discursos que mudarão a história, são sim os exemplo de vida que constroem histórias, que transmitem esperança a quem não acredita que é possível mudar o mundo.

2 de outubro de 2008

Em busca do infinito!

Há momentos em que, parecendo-nos tudo hoje, igual a ontem, há um pequeno traço, uma pequena brisa, um singelo gesto que vem tão somente marcar a diferença e soprar-nos ao ouvido até que a alma oiça, sinta e veja o quanto estamos rodeados de seres magnificos cuja busca pelo infinito transparece como aura, até na voz e no olhar.

Foi assim que me surpreendeu uma amiga, que desconhecia ser poeta, ao oferecer-me o seu livro " Deus na minha poesia ". O gesto, que trazia em forma de laço uma dedicatória, tocou-me comovidamente a alma, pela descoberta de que embora por caminhos diferentes, buscamos na vida coisas semelhantes deixando por vezes o rasto de uma vela perfumada...


" Vela Perfumada "
( A minha constante procura do Divino)

Nas profundezas da Alma
Busco respostas para os meus-porquês...
Encontro em cada esquina da Vida
Sombras disformes da realidade sonhada
Qual inocente criança à espera de crescer.
Vislumbro, ao longe, um clarão disperso
De um Futuro indeciso
Espreitando, tímido, um tènue Passado.
Vivo o Presente como dádiva
Enlaçada por Mão Divina
Que me proteje e ilumina.
Esvaindo com a Noite
A Vela Perfumada
Dos meus Sonhos!...

Helena Nunes in "Deus na minha poesia"

23 de setembro de 2008

A propósito de persistência....


História da lebre e da tartaruga sem U’s


Todos os dias, na verde floresta pintada em tons primaveris, a lebre, elegante mamífero roedor herbívoro da ordem dos lagomorfos, vangloriava-se de ser o animal mais rápido da região. Não havia vertebrado e invertebrado mais veloz, e dizia-o à boca cheia. Sem receios nem contemplações.
Os animais já se mostravam descontentes com tamanha bazófia, mas lá se iam deixando ficar. Todos menos a lenta Podocnemis expansa, animal verde conhecido por não entrar em grandes correrias. Farta de tamanha tagarelice, e após ter sido gozada de novo pela veloz saltadora, fez ver à lebre o descontentamento sentido. “Desafio-te para a Corrida das Corridas”, disse a lebre exibindo de novo o físico trabalhado e aproveitando-se da irritação do animal da carapaça. A nossa amiga, cheia de determinação, de imediato disse-lhe: desafio aceitado! ( Nota do escrivão: os animais têm o hábito de dizer aceitado em vez de aceite). Todos os animais abriram a boca de espanto com tamanha coragem. De imediato escolheram a raposa, mamífero carnívoro da família dos Canídeos, para ser a fiscalizadora de tal evento desportivo. Esta escolha não foi pacífica dado os lagomorfos pertencerem à dieta alimentar do dito fiscal, levantando óbvios problemas éticos. O bom senso prevalece sempre na floresta, e a escolha foi mesmo ratificada.
De entre os Picidaes aptos para dar a largada, todos concordaram no Rei pelo passado apresentado. E foi assim… Na manhã após o repto ter sido lançado, os dois competidores estavam prontos para a partida. A lebre, como se esperava, pôs-se logo na frente. A vantagem foi sendo cada vez maior até a lenta rival desaparecer de vista. A vitória está no papo, foi o pensamento do animal com orelhas grandes, posso até descansar nesta sombra e esperar pela coitada. Dito e feito. A sombra era convidativa para esticar as pernas, e ao fim de certo tempo, os olhos começaram a fechar-se.
A soneca foi maravilhosa, o despertar nem por isso. A algazarra era enorme, e o sobressalto sentido não o foi menos. O lento animal tinha mantido a passada inicial e já estava a chegar à meta. Não havia nada a fazer. A corrida estava irremediavelmente perdida. Agora só lhe restava chorar.
O texto é daqui
Moral da história:
1 - Ser trabalhador e persistente na perseguição dos nossos objectivos é, mesmo quando a derrota parece quase inevitável, o principal meio para os alcançarmos.
2 - Se confiarmos demasiado no nosso sucesso e nada fizermos para o obter, o fracasso, mais dia menos dia, irá surpreender-nos.

18 de setembro de 2008

A Paixão pelo saber

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Sócrates, filósofo grego que viveu entre 470 e 399 a.C, afirmou: “ Só sei que nada sei”. Esta frase famosa e vulgarmente utilizada, reflecte uma posição de humildade, face ao saber, como algo que está fora de nós, que não possuímos mas que devemos amar, buscando-o incessantemente.
A procura do conhecimento, como algo que nunca se possuí, transforma a forma como direccionamos a nossa vida e as nossas reflexões, numa manifesta vontade de aprender em cada momento, com cada experiência nossa e também com a dos outros.
Num mundo tão vasto, a capacidade criativa do homem e da natureza, acrescentam a cada segundo um universo de saberes e novos mistérios que nos deve impulsionar constantemente para a descoberta.
É esta paixão pelo saber que queremos que crianças e jovens sintam , que todos nós devemos cultivar, abdicando de posturas egocêntricas de sabedoria suprema ou da resignação da própria ignorância.
Ignorantes sim! Porque para além do facto de se ter consciência que nada se sabe, ser o primeiro passo para se procurar o conhecimento, ao assumirmos interiormente a postura humilde da aprendizagem, ficamos disponíveis para a vida e para tudo o que ela tem para nos ensinar.
E há tanto para saber…..

SABER SER... SABER ESTAR ; SABER SENTIR... SABER DAR;
SABER SABER… SABER FAZER;
SABER APRENDER…SABER EVOLUIR.