16 de julho de 2010

As fendas dos muros



Por entre as fendas dos muros...

ouvem-se os lamentos
no ranger das amarras
e rasga-se a cal
pela força dos punhos

Nas fendas dos muros...

renasce a esperança do grito
temperado de sal
e o ruir das muralhas
no sopro nos medos

Das fendas dos muros...

escorre a seiva em cascata
ao abraço das mãos
que prolongam a vida
no encontro dos dedos

Fotos Pessoais



12 de julho de 2010

No meu tear



No meu tear
Junto os fios de seda branca
E neles, fio os dias
Mesclados de sonhos e palavras
Pétalas e folhas de um girassol
Que inquieto
Vai tecendo nas noites frias
O amparo desta alma de poeta
E nela sossega
Quando a vida
É um denso e inefável nevoeiro


10 de julho de 2010

Isto dá que pensar (6)




Não existe direito, dignidade, justiça ou moral...




... quando a punição de um crime é feita com outro crime.

Não existe nada, para além de insanidade!!


6 de julho de 2010

Razão ausente




















Sonegada a beleza de te recriares, pensamento
Juras conhecer os baldios e os riachos frescos
Que limitam o pulsar das tuas veias.
Choras e ris e sangras por fim
No desesperado deserto que te seca a alma.
E porque não tens força para te segurar nas manhãs,
Nos gestos, nos rios ou no que sobra deles
Tornas-te órfão das carícias sepultadas no tempo
Acreditando que da tua seara
Crescerá a côdea diferente
Que abalará toda a terra.
Engano teu
Coisa mesquinha



1 de julho de 2010

Metamorfose




Já é tarde!

Fecha o portel que nos abriga
e vem comigo,
açoitar a noite malfadada,
espantar os corvos e a penumbra
e aqueles que de lava quente se alimentam,
enquanto nos lamentamos.

Já é tarde!

Fugiram as horas e o cantar das cigarras
e a luz vestiu-se negra,
consumida pelo nada.
Deitemo-nos nas cinzas mornas,
será aí, confinados à mais pequena ostra
e no tremor do corpo em convulsão,
que faremos a inversão do tempo
e por entre as nesgas do sol,
renasceremos pérolas raras
enquanto de mãos dadas diremos

Está na hora!


28 de junho de 2010

Na obscuridade do medo




Nascem mudas as denúncias dos dias,
Asfixia plena do universo
Que deslumbrado se perde no rodopiar dos astros
Enquanto se dilaceram as feridas.
São os ecos do silêncio
No alinhavo dos lábios,
Ou a angustiada cobardia
De nos vermos trémulos,
Diante da própria sombra.



25 de junho de 2010

Inconsciência
















Julgaste-me coisa inerte
Quando nos meus sonhos
Não encontraste nada mais que o teu castelo
Julgaste-me pedra de ara, angular
Anta dos teus enganos
Que respira apenas a humidade dos teus beijos
No silêncio nosso de madrugar
Por isso, gravas-te em mim o teu nome
Indelével esquecimento
Para que sobre a cal que me cobre o corpo
Nada mais possa ser escrito
Para além da tua consciência
Ou da insanidade dos deuses
Mas sempre que te mirares
No profundo lago que me cerca
Encontrarás o assombro da tua própria cegueira
No reflexo que sobre as águas
Denunciará a minha alma germinada



22 de junho de 2010

Preciso.te




Preciso saciar-me em ti
Entrelaçar as memórias nos teus olhos
E sentir-te marear no meu corpo
Contornando as minhas tempestades
Preciso que me recebas assim,
Candeia faminta sem luz
Na dor que me atormenta, gota a gota
E nela, te faças rio de água minha, salina
Depurada em tua boca





19 de junho de 2010

a Maior Flor do Mundo




porque as flores Maiores...


jamais murcham, secam ou morrem!


15 de junho de 2010

À procura da esperança

















Desenharam-me imensa
Para embalar com o olhar a dor que te aperta,
Traço negro e redondo

De todos os contrastes e assimetrias,
Desassossegos e lagos de solidão
Feitos marés e maresias.
Aí flutuo em vagares e assombros,
Rasgando nas tuas pálpebras
O traço preciso de um ténue sorriso ,
Brisa de todas as manhãs .
Desenharam-me imensa
Para partir vida fora,
Pé- ante- pé, dentro do meu corpo
Alma sem bússola
Barco sem porto
À procura da esperança
Que haverá de salvar o mundo ,
Sinal rarefeito
No olhar límpido e perfeito, de uma criança